Semana Design Rio se despede com público de 12 mil

O Museu de Arte Moderna (MAM) é a tradução perfeita para o conceito “Viva o Design”, da 6ª edição da Semana Design Rio. Durante quatro dias, em um espaço sem muros, conectado ao museu e aos jardins do Parque do Flamengo, o público apreciou o trabalho de diferentes artistas – de grafiteiros a moveleiros -, discutiu como o design está por trás da casa do futuro e até da felicidade e pôs a mão na massa, criando desde brinquedos com material reciclado inspirados no Rio a kokedamas, arranjos japoneses de bolas de musgo.

O evento este ano foi marcado pela pluralidade e atraiu cerca de 12 mil pessoas, que participaram de debates e workshops, circularam entre os estandes do Mercado e das peças da exposição Rio+Design e visitaram as galerias em forma de contêineres da feira de arte contemporânea Artigo.

No último dia de programação, a designer Karen Cesar, CEO da RedBandana, abriu os bate-papos no auditório principal com o tema “Design Thinking para a felicidade – os efeitos da psicologia positiva no ambiente de trabalho”. O debate, que lotou a sala, tratou como o design thinking, voltado para o desenvolvimento de soluções, pode ser aplicado para tornar mais feliz o dia a dia das pessoas no trabalho.

— Quanto maior o nível de felicidade nas companhias, maior é a sua produtividade. E nós, designers, podemos contribuir para isso — disse Karen, aconselhando o público a pensar a vida como um protótipo e ensinando que empatia hoje deve fazer parte de todo o processo de busca de solução para um problema.

Para ela, o design deixou de ser só produto e entrou na era da experiência. Karen explicou ainda que o design thinking virou uma ferramenta importante para as empresas.

— O processo do design thinking tem que partir de um propósito: que problema eu quero resolver? — acrescentou ela.

A 6ª Semana Design Rio é uma realização O GLOBO e Casa e Jardim, com patrocínio do Sebrae e CasaShopping, apoio do WeWork e Suzuki Millenium com parceria da ABEDESIGN, GNT e Cícero, produção da Dream Factory e com a Rádio Globo como rádio oficial. A colombiana Antonia Delgado, de 17 anos, que se mudou para o Rio há apenas oito meses e estuda para entrar numa faculdade de design de moda, acompanhou a palestra de Karen Cesar, anotando cada lição:

— Estou admirada com as aplicações do design não só nas empresas, mas também na vida.

A relação entre bem-estar, felicidade e design deu o tom de parte da programação do evento no MAM. A inspiração na natureza, claro, não ficou de fora da agenda: na oficina de kokedama, comandada ontem por Laura Sugimoto, fundadora do Wabi-Sabi Ateliê, a turma teve a oportunidade de aprender como se faz o arranjo.

— A kokedama é uma técnica muito usada na decoração. Os arranjos substituem o vaso tradicional e são um jeito diferente de ter planta em casa. Podem ficar apoiados ou pendurados e requerem cuidados simples — afirmou Laura, durante a aula.

Com as mãos na bola de musgo, Gabriela Alves contava que já tinha visitado ontem ateliês da Fábrica da Bhering e que, no MAM, também aproveitava para se abrir a novas ideias:

— Como cenógrafa, vejo na Semana Design uma oportunidade para me inspirar.

O grafiteiro Igor SRC mostrou como a sua arte que colore as ruas do Rio – ele é o autor do passarinho Cléssio, que virou um ícone do grafite carioca – acabou sendo transformada em produtos. Em um estande no Mercado, ele apresentava roupas, para adultos e até bebês, telas e outros itens divertidos de decoração criados a partir do seu desenho. Em uma camiseta com estampas traçadas pelo artista, o passarinho virou a mexicana Frida Kahlo. Igor também servia um cafezinho orgânico, da sua grife.

— Comecei fazendo telas e camisas e, agora, estou entrando no mercado infantil. Vou lançar um livro de colorir e, no ano que vem, uma animação do passarinho com o Rio.

Produtos inovadores fizeram a cabeça de muita gente que foi ao evento. Pelo segundo ano, os acessórios do Plástico Bolha, incluindo nécessaires, pochetes e capas de chuva, atraíram a atenção. Nesta edição, houve o lançamento das mochilinhas.

— A Semana é uma vitrine para o expositor. O mais legal são os contatos que a gente faz — contou Daniel Wenna, criador do Plástico Bolha.

Dulce Ângela Procópio de Carvalho, subsecretária estadual de Comércio e Serviços, ressaltou que a exposição Rio+Design deste ano deu destaque a jovens talentos cariocas.

— Este ano, o evento foi mais despojado e atingiu um público maior. Aqui no MAM, as pessoas se sentem mais à vontade, inclusive para conhecer os artistas por trás de cada peça — acrescentou.

No balanço do evento, um dos saldos positivos foi a escolha do MAM. A Semana Design Rio já passou, nos anos anteriores, pelo Jockey Club e pelos armazéns do Porto:

— Foi uma mudança muito feliz. Se a proposta é democratizar o design, nada melhor do que um local sem paredes, sem muros — avalia Nelson Adão, coordenador da Semana Design Rio.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior