Saiba tudo sobre o Bar Luiz e sua história

O anúncio do fechamento do Bar Luiz , conforme noticiou o jornalista Ancelmo Gois , despertou uma onda de nostalgia entre diversos frequentadores do local. O restaurante teve uma semana de casa cheia e foi alvo da solidariedade de chefs e de donos de outros estabelecimentos. No dia 14 de setembro, a proprietária revelou que vai mantê-lo aberto .

Aberto em 3 de janeiro de 1887, a casa tem uma história repleta de curiosidades. Elas vão desde a presença do poeta Olavo Bilac e do historiador Sérgio Buarque de Hollanda entre seus frequentadores até fatos mais inusitados. Com cadeiras que já participaram de peça de teatro, o bar já teve uma cachorrinha entre seus funcionários e, nos primórdios, contava com “esquentadores de chopp” para acostumar os clientes com a bebida, que era então uma novidade.

Confira a seguir algumas curiosidades ligadas à história do bar:
Personalidades
O poeta Emílio de Meneses, o escritor Olavo Bilac e o historiador Sérgio Buarque de Holanda estão entre as personalidades que já frequentaram o bar.

Endereço original
O endereço original do Bar Luiz era Rua da Assembleia, 102. À época, ele se chamava “Zum Schlauch” (“a tripa”, em alemão).

Cardápio
Almôndegas, salsichas e legumes curtidos em potes de vinagrete compunham o cardápio do bar nessa fase. Outra iguaria da época era o Arenque Marinado, composto por filé de peixe ao molho vinagrete com cebloas e alcarparras.

Mudança
Em 1901, o bar mudou para o número 105 da mesma rua e passou a se chamar “Zum Alten Jacob” (“Para o velho Jacob”), em homenagem a seu fundador.

Novo nome
Em 1915, uma lei proíbe que estabelecimentos comerciais tenham nomes em língua estrangeira e o bar passa a se chamar Adolph, em homenagem ao dono Adolph Rumjaneck.

Rua da Carioca
Em 1927, a casa migra do número 105 da Rua da Assembleia para seu endereço definitivo: Rua da Carioca 39.

Venda do imóvel
O imóvel onde fica o bar pertencia à Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e foi comprado pelo banco Opportunity em 2012.

Decoração alemã
Para receber o bar, o sobrado da Rua da Carioca foi decorado em estilo colonial alemão, como se pode verificar ainda hoje.

Salada de batata
A chegada dos anos 1930 marca a entrada da salada de batatas no cardápio. A receita é de Ana Vöit, esposa do dono do bar à época. O jornalista Sérgio Cabral já afirmou que sequer na Alemanha se encontra uma versão tão saborosa do prato.

Sem arroz
A salada de batatas do Bar Luiz tem tanto prestígio que, durante muitos anos, a casa não serviu arroz por medo que as porções concorressem com o tradicional prato.

Sem café
Até 2015, o Bar Luiz não servia cafezinho.

Segunda Guerra Mundial
Durante a Segunda Guerra Mundial, estudantes do Colégio Pedro II queriam apedrejar o então Bar Adolph. A destruição foi evitada pelo compositor Ary Barroso, que tomava um chopp no local na hora e explicou a origem do nome.

Nome brasileiro
Depois da confusão, o bar passou a se chamar Luiz, uma versão abrasileirada do nome de seu dono à época, o alemão Ludwig Vöit.

Cadela vigilante
Em 1961, a cadela Katie foi “contratada” como funcionária para fazer a vigilância do bar e passou a receber remuneração na forma de casa e comida.

Garçons
Garçons da casa desde a década de 1970, Brenlla (Manolo), Loyola e Oliveira são considerados patrimônios do bar — assim como Jurandir Gomes, que trabalha no local desde os 17 anos e hoje responde pela gerência da noite.

Denominação original
Juntamente com o Bar Lagoa, o Bar Luiz é o único da cidade que manteve a denominação original após a prefeitura regulamentar o comércio de restaurantes.

Teatro
Seis cadeiras do bar já figuraram em, pelo menos, uma peça de teatro: a montagem da diretora Ana Zettel de “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, exibida na sede da Associação Brasileira de Imprensa em 2015.

Ajuda
Ao saber do fechamento do bar, a chef Roberta Sudbrack pediu ajuda para salvá-lo por meio de sua página no Facebook.

Patrimônio Histórico Municipal
Em 1985, a Rua da Carioca teve o Bar Luiz e todo seu conjunto arquitetônico tombado como Patrimônio Histórico Municipal.

Filiais
A casa já teve filiais na Barra e em Niterói.

Venda
Há dois anos, o Bar Luiz quase foi vendido para o empresário Omar Perez , mas a transação não se concretizou.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior