Roda de capoeira Din.DOwn.DOwn é reconhecida como ponto municipal de cultura

Reconhecido recentemente como Ponto de Cultura Municipal, o premiado Din.DOwn.DOwn — Capoeira Especial vai muito além de gingas, esquivas e golpes, movimentos tradicionais do jogo. Voltado para pessoas com deficiência, o projeto realizado pela ONG Gingas oferece aulas gratuitas desde 2003. Atualmente, ele acontece duas vezes por semana na Apae de Niterói, no Centro.

De acordo com o idealizador David Bassous, o Mestre Bujão, as aulas são lúdicas, e os principais pilares são respeito, afeto e liberdade para se expressar. Bassous enfatiza que todos são bem-vindos, independentemente do tipo de deficiência e idade:

— Eles aprendem as técnicas do jogo, a tocar instrumentos, como berimbau, atabaque e pandeiro… Mas aqui não se estabelece o que é certo, errado ou limitado. Os conceitos são afeto e potência. Todos fazem parte de uma cultura que preza pela cooperação e cumplicidade.

Bassous conta que também utiliza o método da “papoeira”: um bate-papo no início e final dos encontros. Os participantes se cumprimentam, sentam no chão em círculo e conversam por cerca de dez minutos. Os assuntos são variados. Às vezes, eles relembram tópicos da aula anterior, contam as mais diferentes histórias e debatem temas polêmicos, como racismo, deficiência, sexualidade e preconceito.

— Depois desse “aquecimento afetivo”, fazemos um aquecimento corporal, imitando os gestos e posturas de animais, objetos e plantas. A turma, então, é dividida. Parte toca os instrumentos, parte treina os gestos da capoeira; depois invertemos. Gesto e música se fundem fundem e criam o ritual da roda da capoeira em toda a sua completude — detalha Mestre Bujão.

Um dos alunos mais animados é Edson Martins, o Edinho, de 42 anos. Com Síndrome de Down, ele participa das aulas há cerca de um ano:

— Adoro capoeira, fico ansioso pelos dias de aula.

A mãe de Edinho, Vilma Martins, diz que a capoeira ajudou o filho a superar a morte do irmão, além de ter lhe dado mais autoestima e autonomia.

— Ele ficava triste, introspectivo, e a capoeira o deixou mais alegre, solto, seguro.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior