Roberta Sudbrack fará jantar para tentar salvar o Bar Luiz

A chef Roberta Sudbrack pediu ajuda nas redes sociais para tentar salvar o Bar Luiz do fechamento . A chef está organizando um jantar que deve acontecer no bar nos próximos dias e irá angariar fundos para tentar evitar o fim das atividades. Conforme noticiou o jornalista Ancelmo Gois neste domingo, o estabelecimento centenário no Centro do Rio vai fechar as portas no próximo sábado.

“Quem me ajuda a salvar o Bar Luiz?”, escreveu Sudbrack em seu perfil no Facebook por volta de 14h deste domingo. “Ícone carioca com mais de 100 anos de história”, comentou ela sobre o local na publicação, que recebeu quase 60 comentários e mais de 250 compartilhamentos até as 12h desta segunda.

Gaúcha de nascimento e carioca por adoção, Roberta define o Bar Luiz como um ícone, ficou preocupada quando soube do possível encerramento das atividades do estabelecimento e, por isso, decidiu fazer algo:

– Não podemos cruzar os braços e chorar depois que o leite derramar. Resolvi fazer a campanha para chamar a atenção da cidade, me coloquei à disposição dos donos para ajudar no que for preciso, para despertar o interesse de algum investidor que se disponha a ajudar a manter de portas abertas esse tesouro da cultura carioca. Estou conversando com os donos e vamos lutar até o último instante para manter o Bar Luiz de portas abertas – afirma a chef.

Aberto em 3 de janeiro de 1887, o estabelecimento foi o primeiro do Centro do Rio a vender chopp, que se tornou uma das especialidades da casa. Os responsáveis pelo bar marcaram uma entrevista coletiva de imprensa nesta segunda-feira, no estabelecimento. No encontro, eles devem dar mais detalhes sobre o encerramento das atividades, causado por problemas financeiros e outros problemas.

A diretora de teatro Ana Zettel lembrou que o estabelecimento emprestou suas cadeiras para uma montagem organizada por ela da peça “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues. “Tenho uma imensa gratidão pelo Bar Luiz”, escreveu ela em sua página do Facebook. “Que algum milagre aconteça e não fechem suas portas”, comentou Ana.

Colunista de gastronomia do GLOBO, o jornalista Juarez Becoza também se mobilizou por meio das redes sociais para tentar evitar o fechamento do bar:

“Quem foi que disse que o Bar Luiz precisa mesmo fechar? Os clientes somos nós. Pra que apenas lamentar depois, se podemos fazer alguma coisa antes?”, disse ele em seu perfil no Facebook. “O Bar Luiz é um patrimônio nacional, e isso não é papo de bêbado. Todos ao Bar Luiz, pois! Desta segunda ao próximo sábado, serão seis chances para almoçar por lá. O Bar funciona do meio-dia às 19h. O Kassler com salada de batatas é um clássico. O chopp já foi o melhor do Brasil em diversas ocasiões, e ainda segue muito bem tirado. E o meu preferido: bife à milanesa. Sem falar no ambiente e aquela sensação de viajar no tempo”, escreveu o jornalista.

132 anos de tradição
“Zum Schlauch” (“a tripa”, em alemão) foi o primeiro nome do bar aberto no número 102 da Rua da Assembleia por Jacob Wendling, filho de suíços nascido em Petrópolis. Já em 1888, o estabelecimento passou a vender a cerveja em sua forma crua (ou chopp), com uma curiosa estratégia de marketing. Afilhado de Wendling, Adolf Rumjaneck desafiava os clientes para partidas de queda de braço: quem ganhava podia beber de graça o que quisesse e quem perdesse era obrigado a tomar um chopp.

À época, o cronista João do Rio escreveu que o novo bar estabeleceu entre os cariocas um novo hábito chamado “chope nacional”. Ou seja, o costume de “discutir literatura e falar mal do próximo” enquanto enche-se o ventre de cerveja. O poeta Emílio de Meneses e o escritor Olavo Bilac são outras personalidades que frequentaram a casa nesse período.

O bar mudou do número 102 para o 105 em 1901, quando passou a se chamar “Zum Alten Jacob” (“Para o velho Jacob”), em homenagem a seu fundador. O estabelecimento ainda mudaria de nome duas vezes. Na primeira delas, em 1915, virou Bar Adolph, em homenagem ao afilhado do fundador que tocou adiante o negócio. Doze anos depois, acontece nova mudança e a casa migra do número 105 da Rua da Assembleia para seu endereço definitivo: Rua da Carioca 39.

Foi no prédio de estilo art-déco que se deu uma das melhores história ligadas à casa que quase foi apedrejada por estudantes do Colégio do Pedro II que pensavam que o nome era uma homenagem ao ditador nazista Adolf Hitler. O mal-entendido foi desfeito pelo compositor Ary Barroso, que se tomava um chopp no local do momento do ataque. Graças à situação, a casa ganhou o nome atual, que é uma versão abrasileirada do nome de seu dono à época, o alemão Ludwig Vöit.

Em 1985, a Rua da Carioca teve o Bar Luiz e todo seu conjunto arquitetônico tombado como Patrimônio Histórico Municipal. A casa chegou a ter filiais na Barra da Tijuca e em Niterói. Porém, o aumento do aluguel após a compra dos imóveis da via pelo banco Opportunity, a queda do movimento por conta das obras do VLT na região e a crise econômica impactaram as finanças do estabelecimento. Há dois anos, a casa esteve prestes a ser vendida , numa transação que não se concretizou.

Fonte:Globo
Postado por Raul Motta Junior