Riotur tenta atrair patrocínio de R$ 6,5 milhões para escolas do Grupo Especial

Em contagem regressiva — faltam menos de quatro meses para o carnaval —, a Riotur mudou a estratégia para obter possíveis patrocinadores para a festa. Até novembro, pelo menos três ou quatro editais serão lançados, na tentativa de atrair interessados em ajudar a melhorar a infraestrutura do Sambódromo e também a apoiar o Carnaval de rua. O primeiro edital foi lançado na semana passada. A Riotur busca um patrocinador disposto a investir pelo menos R$ 10 milhões na festa. Desse total, R$ 6,5 milhões iriam para as 13 escolas do Grupo Especial (R$ 500 mil, cada) e o restante seria destinado à montagem da infraestrutura dos desfiles dos grupos de acesso que se apresentam na Intendente Magalhães, em Campinho, na Zona Norte. O edital prevê a possibilidade de os recursos serem captados por renúncia, via Lei Rouanet. As propostas devem ser entregues até o próximo dia 27.

As mudanças ocorreram após a Riotur ter tentado, sem sucesso, captar R$ 56 milhões com a venda de sete cotas de patrocínio para financiar a festa. No entanto, só a Ambev, que em anos anteriores já havia apoiado o carnaval de rua, arrematou uma cota, no valor de R$ 8,1 milhões O formato anterior ainda não previa o patrocínio para as escolas nem a possibilidade de a verba ser captada via Lei Rouanet. Na época, o aplicativo Uber chegou a oferecer uma proposta via Lei Rouanet, mas foi desclassificado porque o mecanismo não era previsto no edital. Entre as promessas feitas pela Riotur para a festa de 2018, que ainda não tem patrocínio fechado, está o plano de modernizar a iluminação da Sapucaí, com o uso de lâmpadas de LED.

— O processo que planejamos inicialmente mudou. E hoje há mais empresas interessadas em apoiar a festa. Em alguns casos, para atividades específicas. Fomos sondados, por exemplo, por uma empresa de material de limpeza interessada em apoiar os blocos de rua. Nesse caso, eles querem fazer uma ação de marketing associada associada ao trabalho de remoção de detritos após a passagem dos blocos. Espero fechar toda a logística do carnaval no mês que vem. Mas reconheço que dificilmente conseguiremos chegar aos R$ 56 milhões — disse o presidente da Riotur, Marcelo Alves.

Na tentativa de atrair patrocinadores, o contrato de cessão da Sapucaí com a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) sofreu modificações em relação às versões anteriores. Um dos espaços publicitários em forma de painel luminoso na Passarela do Samba, localizado no setor 13, foi cedido para ser oferecido pela prefeitura como contrapartida ao novo patrocinador que se comprometer com os $ 6,5 milhões.

O vencedor da licitação também terá direito a exibir sua marca em galhardetes espalhados pela cidade e no material de divulgação da festa. Além disso, terá ainda uma cota de 20 convites por dia de desfile para seus convidados.

DINHEIRO ESTÁ ATRASADO

Segundo Marcelo Alves, o novo formato de patrocínios foi discutido com o Ministério da Cultura. A União, por sua vez, acenou com patrocínios de estatais federais para reforçar o caixa das escolas, também via Lei Roaunet. Mas, de acordo com a Liesa, a negociação com a União ainda está em andamento.

Enquanto tenta atrair mais patrocinadores privados, a prefeitura ainda deve R$ 13 milhões (R$ 1 milhão por agremiação) da subvenção prometida pelo prefeito Marcelo Crivella, em junho deste ano. A promessa era que os recursos seriam repassados integralmente este ano, em cinco parcelas, entre julho e novembro. No entanto, a burocracia atrasou a tramitação. Este mês, as escolas fizeram um novo acordo com o prefeito. Ao contrário do que havia sido combinado, parte dos recursos só chegara à conta das agremiações em 2018.

— Nós acertamos com o prefeito que o pagamento será efetivado em três parcelas. Cada escola vai receber R$ 450 mil ainda este mês. Outros R$ 450 mil deverão entrar na conta em 30 de novembro. A última parcela, no valor de R$ 100 mil, será repassada à medida em que as escolas prestarem contas de como gastaram os dois primeiros repasses da subvenção. Pelo calendário, esse saldo será pago no ano que vem — disse o presidente da Liesa, Jorge Luiz Castanheira.

Nos dois últimos carnavais, a prefeitura havia repassado R$ 2 milhões por escola do Grupo Especial. Crivella, no entanto, decidiu reduzir a subvenção das agremiações à metade e prometeu procurar um patrocinador privado para financiar as escolas.

A verba que deixou de ser aplicada no carnaval passou a ser empregada para reforçar as diárias pagas às 158 creches conveniadas que cuidam de 16 mil crianças com recursos públicos. O valor da ajuda mensal por criança passou de R$ 300 para R$ 600. Com isso, o gasto mensal da prefeitura com o programa passou de R$ 4,8 milhões para R$ 9,6 milhões por mês. O acordo com as creches, retroativo ao mês de agosto, foi assinado no início deste mês.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior