Depois de os termômetros terem registrado nesta quarta-feira o dia mais quente do inverno (37,4 graus, em Santa Cruz), o carioca deve se preparar para quedas de temperatura e uma forte ressaca. A previsão é que as ondas possam chegar a 3,5 metros nesta quinta-feira e a até quatro metros nesta sexta-feira.
O alerta de ressacas do Centro Hidrográfico da Marinha é válido das 9h desta quinta-feira até as 9h de domingo. Mas, segundo a Marinha, a tendência é que as ondas mais altas comecem a ser observadas na noite desta quinta-feira. Por sua vez, a temperatura deve ficar entre 20 e 26 graus, com possibilidade de chuvas fracas.
O Centro de Operações da prefeitura vai monitorar a situação. Se houver necessidade, o trecho da Ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, que está em operação (entre a Barra e São Conrado) poderá ser interditado.
Por coincidência, as ondas vão chegar da mesma direção de outra ressaca ocorrida em abril de 2016, que derrubou parte da pista para bicicletas, até hoje interditada. A Marinha explica que ainda não é possível avaliar se o impacto das ondas será idêntico ao que casou o acidente no ano passado.
O alerta também foi enviado para proprietários de embarcações que terão autonomia para decidir se vão navegar mesmo com o mar em condições desfavoráveis.
De acordo com o Climatempo, a ressaca tem como origem dois fenômenos meteorológicos que combinados deixarão todo litoral das regiões Sul e Sudeste expostos ao mar mais batido. Ao mesmo tempo, o litoral dessas áreas estará propenso a um anticiclone (formado quando o vento sopra de cima para baixo), de origem polar, que passa pela Argentina e a um ciclone extratropical que vem pela região sul do país.
Por sua vez, a ressaca tem tudo para fazer a alegria dos surfistas. O instrutor Fábio Cardoso observa que a direção das ondas (sul-sudeste), combinada com a velocidade do vento (9 nós, que equivalem a 16,6 Km/h), é favorável à prática do esporte principalmente no Arpoador e nas praias da Barra, da Reserva e no canto do Recreio.
— Por outro lado, no sábado, o mar vai estar muito batido porque a previsão é de ventos mais fortes (até 18 nós ou 33,3 Km/h), desfavoráveis para quem gosta de pegar onda — diz Fábio Cardoso.
FENÔMENO PODE AFETAR BAÍA
Tamanho só não basta. A ressaca prevista pelos principais serviços meteorológicos do país ameaça ser particularmente intensa no Rio de Janeiro por dois motivos, além da altura das ondas, acima dos três metros. Primeiro, porque ela chegará do quadrante sul/sudeste, o que é pouco frequente. Isto é, a ondulação (swell) se chocará diretamente com o litoral da cidade, voltado para o sul. Com isso, pode trazer ondas grandes até mesmo para a Baía de Guanabara e atingir as pistas da orla e da avariada ciclovia da Avenida Niemeyer.
A previsão é que a ressaca chegue na virada de sexta-feira para sábado e só comece perder força no fim da segunda-feira. Segundo o meteorologista Caetano Mancini, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (CPTEC), o mar continuará agitado no litoral fluminense até a próxima quarta-feira.
A ressaca, a primeira realmente forte deste ano, promete seguir a mesma trajetória da que derrubou parte da ciclovia da Niemeyer, em abril de 2016. Vem da mesma direção. Chega de sul, na sexta-feira. E durante todo o fim de semana até a segunda-feira, de sudeste. Com isso, ondas gigantes de até quatro metros poderão se formar na Baía de Guanabara e em praias da cidade.
Essa ressaca se formará a partir da passagem de uma frente fria pelo oceano já na tarde de hoje. Mas ganhará força no fim da sexta-feira, pois será seguida por um anticiclone, um centro de alta pressão que gerará ventos muito fortes em alto-mar.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior