O incêndio que destruiu a maior parte do acervo de 20 milhões de itens do Museu Nacional despertou uma sensação de perda nos cariocas. Mas a tragédia pode servir para lembrar que, entre centenas de equipamentos culturais do Rio, ainda há muitos tesouros — alguns mantidos em salas fechadas — que merecem ser protegidos.
Museu Dom João VI
Museu da Farmácia
Arquivo Nacional
Cais do Valongo
Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro
Museu Dom João VI
Parte das preciosidades está guardada numa instituição que também é administrada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trata-se do Museu Dom João VI, fechado desde 2016, quando um incêndio atingiu seu endereço, o prédio da Escola de Belas Artes (EBA), na Ilha do Fundão.
O fogo, que atingiu o 8º andar, não chegou a destruir o acervo. Estão ali, por exemplo, desenhos arquitetônicos de Grandjean de Montigny e obras de estudantes da antiga Academia Imperial das Belas Artes.
O historiador Olínio Coelho lembra que a EBA, antes de ser transferida para o Fundão, ocupou o prédio do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), na Avenida Rio Branco, no Centro. A mudança foi acompanhada por uma divisão de obras.
—Uma parte do acervo ficou com o MNBA; a outra, com o Museu Dom João VI — recorda Coelho.
O Museu Dom João VI foi instalado numa sala no 7º andar do prédio da EBA, interditado desde que o incêndio atingiu o andar superior. Segundo a UFRJ, funcionários cuidam do acervo, que conta com 3.600 obras e 6.200 documentos — boa parte deles atualmente trancados numa sala. Quadros de Eliseu Visconti estão entre os tesouros da instituição. De acordo com a reitoria, a reabertura está prevista para o segundo semestre do ano que vem.
Instalado no prédio da Santa Casa de Misericórdia, na Rua Santa Luzia, no Centro, o Museu da Farmácia tem um acervo raríssimo, composto por potes franceses de porcelana e vidro, microscópios e fôrmas para a fabricação de remédios. No entanto, visitá-lo não é fácil. Na última quarta-feira, uma equipe do GLOBO foi ao local, mas o encontrou fechado. Funcionários informaram que era preciso “pegar a chave” com o responsável, numa salinha do segundo andar, e avisaram que o lugar precisava ser “preparado” para visitas, o que exige um agendamento por e-mail.
— A Santa Casa guarda uma farmácia típica do século XIX, é um museu que praticamente ninguém conhece — lamenta o professor João Baptista Ferreira de Mello, coordenador do Projeto Roteiros Geográficos do Rio, da Uerj.
Arquivo Nacional
Prédio do Arquivo Nacional, no Centro do Rio – Pablo Jacob / Agência O Globo
O prédio do Arquivo Nacional, na Praça da República, no Centro, também guarda um tesouro — o documento original da Lei Áurea. A raridade não fica exposta: segundo a direção, “permanece dentro de uma sala com o devido controle de segurança, temperatura e umidade”. Mas, no endereço, visitantes podem conferir a mostra “130 anos da abolição da escravatura”.
— O Arquivo tem um acervo muito importante, mas, na última reforma, ao separar a área do depósito da sala de consultas, vem deixando os documentos em risco, porque o funcionário precisa transportá-los por um pátio sem cobertura — criticou o historiador Nireu Cavalcanti.
LEIA: Museu Nacional: 1,5 milhão de peças escaparam do incêndio por estarem em outros prédios
Cais do Valongo
Sítio Arqueológico Cais do Valongo, localizado na Zona Portuária do Rio – Márcio Alves / Agência O Globo
Descoberto em 2011, durante as obras de revitalização da Zona Portuária, o sítio arqueológico do Cais do Valongo, declarado Patrimônio da Humanidade, tem parte de sua história escondida. Mais de 500 mil peças, entre colares, pedras e amuletos achados nas escavações, estão armazenadas em caixas dentro de um galpão na Gamboa.
Parte delas deverá ser exposta no Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana, que tinha previsão inicial de ser inaugurado em 2015. Segundo a Prefeitura do Rio, no entanto, a abertura do espaço para exposição devem acontecer em 2019.
VEJA: Varal de lamentações pela perda do Museu Nacional reúne mensagens de reitores de 31 universidades federais
Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro
Estandarte da Cidade do Rio, do Século XIX, que faz parte do acervo do Museu Histórico da Cidade do Rio – Divulgação
Fechado para obras, o Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, no Parque da Cidade, abriga pedaços da memória do Rio, como uma coleção de estandartes do século XIX e a maquete da cabeça do Cristo Redentor.
Nenhum destes itens, no entanto, está em exposição atualmente, porque parte do museu está fechado, em obras. Segundo a Prefeitura do Rio, a “nova Reserva Técnica do Museu Histórico da Cidade será reaberta em novembro deste ano. O Palacete terá o restauro finalizado em 2019”.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior