Entre as várias tradições africanas presentes no Brasil, existe uma que atende pelo nome de Iorubá, muito influente na música, literatura, artes plásticas e até na nossa gastronomia. Apesar de presente na diversidade brasileira, algumas pessoas sequer conhecem a história desse povo. Foi com a missão de reaproximar os afrodescendentes de suas raízes que Adeyeye Enitan Babatunde Ogunwusi Ojaja II, rei da cidade de Ifé, na Nigéria — berço dos iorubás — desembarcou pela primeira vez no Brasil. Nesta terça-feira, ele participou de uma cerimônia no Salão Nobre Petit Trianon da Academia Brasileira de Letras (ABL).
O líder político e religioso, que subiu ao trono em 2015, chegou à ABL por volta das 18h, acompanhado de uma comitiva de 40 pessoas. O grupo foi recepcionado pela Banda do Corpo de Fuzileiros Navais. Na segunda-feira, ele já havia participado de uma solenidade na Assembleia Legislativa do Rio, onde recebeu a medalha Tiradentes, maior honraria do Estado. E antes de vir ao Rio, Adeyeye, que subiu ao trono em 2015, foi à Bahia para criar a Casa dos Iorubás.
— É um simbolismo muito forte (sua presença). Numa cerimônia litúrgica, na Bahia, ele apaziguou a alma dos escravos. Isso significa manter uma identidade do passado, e ter condições de reorganizar o futuro por causa desse passado — disse o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), o Acadêmico e escritor Marco Lucchesi.
O Secretário-Geral, Acadêmico, diplomata e historiador Alberto da Costa e Silva, um dos responsáveis por trazer o rei ao Brasil, falou da forte influência africana nos costumes dos brasileiros:
— Costumo dizer que as pessoas xingam, cochicham sem saber que estão se zangando e cochichando com palavras de origem Iurubá — brinca ele, destacando a importância da visita do rei — Adeyeye é uma espécie de papa na Nigéria e fora dela.
Adeyeye discursou por quase uma hora na ABL, em em inglês, traduzido por uma intérprete. Após uma cerimônia emocionante, em que falou sobre a representatividade dos negros no Brasil, o líder religioso deu de presente à Academia um quadro em ouro e bronze:
— A arte enaltece a alma — disse, encerrando o discurso.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior