Há 50 anos, o Bip Bip segue firme e forte na Rua Almirante Gonçalves, em Copacabana, com seu estilo despojado que dispensa garçons e não vende comida. Tanta história — grande parte dela reservada à administração de Alfredo Jacinto Melo, o Alfredinho, à frente do ponto há mais de três décadas — é recontada na terceira edição do livro “Bip Bip, um bar à serviço da alegria”, com lançamento marcado para a próxima quinta, às 20h, no conhecido e amado pé-sujo do bairro.
Editado novamente pelos jornalistas Marceu Vieira e Luís Pimentel e pelo músico Francisco Genu, que assinaram juntos a versão original, de 2000, o texto atualiza causos passados e traz episódios novos, ambientados, em parte, na viagem feita pelo dono do Bip Bip à Rússia, no ano passado. Conhecido pela solidariedade e pela fama de ranzinza, Alfredinho fez do bar fundado no dia 13 de dezembro de 1968 — dia da sanção do AI-5 — um lugar que é reflexo de seu espírito descontraído.
— O Bip servia sucos e batidas antes de Alfredinho. Com ele, virou um bar de cerveja e música. A casa só é o que é por causa dele — conta Genu, citando as rodas de samba, choro e bossa nova típicas da casa.
O músico lembra que o jeito de Alfredo já rendeu muitas situações engraçadas, como se pode ver ao longo do livro. Um dos novos causos fala de uma ocasião em que o dono do bar perdeu a paciência com um estrangeiro: na hora de anotar as cervejas compradas pelo gringo, se irritou ao não se fazer entender quando tentava pedir o nome do freguês. No papel, acabou escrevendo “orelhudo”, em referência a um atributo físico do homem.
— É um bar sem cardápio, serviço ou tecnologia, mas que pratica a convivência como nenhum outro — diz Marceu Vieira.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior