Faltando menos de um mês para o carnaval, ainda não há uma definição sobre o retorno dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. Conforme antecipado na coluna da jornalista Marina Caruso , uma reunião prevista entre Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Light e o governo estadual pode definir a realização dos ensaios. No entanto, a demora tem preocupado e causado um certo “desinteresse” nas escolas:
— Queremos o ensaio técnico, mas ficaremos aliviados se não tiver. A Portela sempre quis a realização, mas a verdade é que o carnaval é logo ali, seriam três fins de semana para, pelo menos, 14 escolas — afirma o presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães.
O vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, reforça o pouco tempo restante para organizar o planejamento dos ensaios e destaca a necessidade de montar esquemas de transporte e segurança, por exemplo, o que também demanda, segundo ele, tempo.
— Nós não recebemos a confirmação, o que nos preocupa bastante. Somos a favor de que os ensaios aconteçam, mas sabemos que é uma questão bem delicada e perigosa, que tem chances de dar errado. Imagine chegar para uma escola na quinta-feira e avisar que ela ensaia no sábado? Fica difícil, e a cada dia que passa aumentam as dificuldades.
Com o clima de indefinição, muitas escolas buscaram soluções e apostaram nos testes de rua. Caso sejam confirmados até quinta-feira, os ensaios começariam já no próximo sábado, restando mais três fins de semana para todas as escolas passarem pela Sapucaí.
— Os ensaios técnicos precisam de uma preparação que não vai ser viável. O calendário vai ficar muito apertado, são muitos detalhes a serem pensados, muita coisa para ser organizada. A gente torceu para ter, os ensaios são bons para todo mundo. Mas de uma hora para outra, tudo sai mais caro — explica um diretor da Imperatriz Leopoldinense.
No entanto, há quem veja o lado positivo dessa história. O diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro, acredita que, nos últimos anos, ensaios ganharam uma importância maior, aproximando-se de uma apresentação oficial. Em caso de confirmação do evento para este ano, segundo ele, mudanças deverão ocorrer:
— Os ensaios técnicos são relevantes para a cidade e as escolas, embora tenhamos outros meios de suprir essa falta. Mas pode ser que esses desfiles voltem a ser vistos apenas como ensaios, sem toda a estrutura de tripés, fantasias e camisas personalizadas que se acostumou a ver. E isso, para mim, é algo positivo — diz.
Os R$ 13 milhões solicitados pela prefeitura do Rio à concessionária de energia seriam utilizados para patrocinar os ensaios e garantir a subvenção às escolas, via lei de ICMS. O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, explica que aguarda a liberação do apoio, que, segundo ele, “é fundamental para exercer bem a estrutura de preparação do carnaval”.
— Nós estamos aguardando a definição da Light e também do governo estadual do Rio de Janeiro. Essa decisão pode sair nos próximos dias.
Os ensaios técnicos sempre foram gratuitos e levavam várias pessoas à Sapucaí, numa prévia do que seriam os desfiles do Grupo Especial e da Série A. Em outubro de 2017, a Liesa cancelou os ensaios alegando falta de recursos para arcar com as despesas da festa, que na época era orçada em um valor de aproximadamente R$ 3,5 milhões. No ano passado, apenas a Portela e a Mocidade — campeãs em 2017 — puderam testar a Avenida uma semana antes dos desfiles.
Por telefone, a assessoria de imprensa da Riotur afirmou que trabalha há meses junto à Light para conseguir o patrocínio, que “está prestes a sair”.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior