Queda no roubo de carga no Rio deve beneficiar moradores das ‘zonas de exclusão’

A redução do número de roubos de carga deverá ter um impacto sobre as “zonas de exclusão” no Rio. A expectativa é do diretor do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logísticas (Sindicarga), Marcelo Mafran. Reportagem do GLOBO publicada no domingo revelou que áreas de 80% dos 162 bairros da cidade têm algum tipo de restrição para entrega de mercadorias compradas pela internet ou para a prestação de serviços de transporte via aplicativos. Os Correios admitem que localidades de 109 bairros estão fora de sua rota devido à violência ou só podem ser atendidas em condições especiais, como uso de escolta.

— O 15ºBPM (Duque de Caxias), 16º BPM (Olaria) e o 41º BPM (Irajá) têm feito um trabalho muito bom no combate ao roubo de carga — diz Mafran.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), foram registrados 2.332 roubos de carga no município, de janeiro a setembro deste ano, uma redução de 24% destes crimes, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em todo o estado, segundo o governo, foram 1.274 roubos de carga a menos, uma queda de 18,2%.

Para Mafran, a redução dos roubos de carga, aliada a investimentos que tragam mais emprego e dignidade a moradores das áreas mais afetadas pelo problema, terá consequências benéficas para comerciantes, indústrias e para a população em geral:

— Teremos empresas vindo para o Rio de Janeiro. Consequentemente, vamos ter mais empregos e vamos conseguir baixar o preço dos produtos.

Ele acrescentou, no entanto, que o fim de ano exige segurança reforçada. Segundo Mafran, os roubos de carga aumentaram nas duas últimas semanas — o que ainda não foi constatado pelas estatísticas oficiais.

Em uma nota conjunta, o governo estadual e as polícias Militar e Civil afirmaram que “a política de segurança do Governo do Estado do Rio de Janeiro é baseada em inteligência, investigação e aparelhamento das polícias”. Também destaca que as forças de segurança “vêm agindo com rigor contra todas as organizações criminosas, sejam elas formadas por milicianos ou traficantes”.

Além do combate ao roubo de carga, que, ao lado da atuação de milicianos e do tráfico de droga, resulta em áreas com entraves ao direito básico de ir e vir, a Polícia Civil tem, segundo o estado, apostado na asfixia financeira de grupos criminosos. De janeiro a setembro, informou o governo estadual, o número de casos analisado pelo Departamento Geral de Combate à Corrupção cresceu 146% em relação ao mesmo período do ano passado. Mais de R$ 50 milhões em bens de investigados já foram sequestrados. Até setembro deste ano, 377 milicianos foram presos.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior