Prefeitura limita em 180 total de camelôs que vão trabalhar no Calçadão de Bangu

Depois de retirar todos os camelôs que atuavam no Calçadão de Bangu, na Zona Oeste, numa operação realizada no começo do mês, a prefeitura publicou uma resolução no Diário Oficial desta quarta-feira as novas regras para o comércio ambulante no local. Serão permitidas somente 180 bancas padronizadas, onde antes havia mais de 500, de diferentes tamanhos e modelos, segundo a Região Administrativa do bairro.

Os camelôs precisam estar cadastrados no programa Ambulante Legal e só poderão comercializar mercadorias que tiverem notas fiscais. Haverá dois modelos de bancas padrão: uma de 1,10m x 1m e com tabuleiro e cobertura nas cores vermelha e branca; e outra vertical, tipo mostruário, medindo 1,20 x 0,80cm. Elas serão distribuídas ao longo das avenidas Ministro Ary Franco e Cônego de Vasconcelos. As novas estruturas serão instaladas no meio do calçadão, de forma a liberar as laterais para os pedestres e também deixar livres as entradas das lojas.

Guardas municipais e fiscais da Coordenadoria de Controle Urbano (CCU), da secretaria municipal de Fazenda, dão plantão diário no local, de manhã até a noite, para evitar a reocupação irregular do espaço, enquanto não é feito o novo assentamento do camelôs cadastrados. Segundo o administrador regional de Bangu, Marcos Goulart da Silva, a medida era necessária para acabar com a desordem, que era prejudicial tanto para pedestres como para o comércio formal, que perdia clientes. Ele acredita também que com o novo ordenamento até os índices de criminalidade podem baixar.

— Só em ordenar (o comércio ambulante) vai diminuir até a criminalidade. Antes havia muita saidinha de banco e os criminosos se aproveitavam da confusão provocada pela grande quantidade de camelôs e da multidão para escapar mais facilmente.

Maria Barroso, gerente de uma loja de cama e mesa no calçadão da Cônego de Vasconcelos diz que o problema dos camelôs é que eram em número muito grande. Ela acredita que a redução do volume de barracas deixará o comércio ambulante organizado e não prejudicará as lojas.

— Se organizar vai melhorar. Era muito ambulante. Até os clientes estão achando que vai melhorar.

A dona de casa Renilda Ramos, de 51 anos, moradora em Senador Camará que costuma fazer compras no Calçadão de Bangu, defende a necessidade dos camelôs trabalharem, mas também acredita que o ordenamento era necessário

— Os camelôs precisam trabalhar, mas era necessário organizar. Prejudicava até o funcionamento das lojas. Era uma bangunça geral — crítica.

Já quem perdeu o espaço de trabalho, como Mauro Luiz Fonseca, de 25 anos, só tem motivos para queixas. O jovem vendia queijos e goiabada na banca do sogro que ficava passarela que passa por cima da estação de trem.

— Estou há duas semanas sem trabalhar. Tem muita gente que depende disso para sustentar a família. Já não tem emprego e os caras ainda embarreram — reclamou.

Pelas novas regras, o ambulante está duplamente errado: além de não ser mais permitido a montagem de bancas na passarela sobre a estação — que ficará liberada para os pedestres — ele trabalhava com mercadorias que não serão mais permitidas. Além disso, o rapaz também não fez o recadastramento, que já está encerrado. A Região Administrativa informou que aguarda apenas o envio da relação dos camelôs cadastrados pela Secretaria de Fazenda, para saber quem está autorizado a trabalhar no calçadão.

Os camelôs, que passarão por recadastramento anual, poderão comercializar roupas sem marca, artesanato, artigos de armarinho, capas de celular e comida industrializada. A origem das mercadorias precisa ser comprovada por meio de nota fiscal. Está proibida a venda de óculos de grau, pescados, frutas, caldo de cana, frituras, churrasquinho e roupas de marca.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior