Pioneiro do grafite no Rio, Smael Vagner ocupa as ruas da cidade

O colorido remete à alegria. As linhas abstratas trazem movimento ao grafite do carioca Smael Vagner. As telas são paredes, muros, carros e mobiliários urbanos. Aos 39 anos, o artista plástico já assinou painéis em ruas de Paris, Nova York, São Francisco e Bali. Após expor em galerias internacionais, as obras do artistas estampam as paredes da Galeria Paçoca, na Gávea, uma sociedade de Smael com a artista plástica e DJ Luluta Alencar. Com a recepção amistosa da golden Cocada, de 7 anos, o espaço é repleto de cor — seja nas telas, nas plantas ou nas paredes.

Suas obras mais recentes ilustram também espaços como a CT Brasserie, do chefe francês Claude Troisgros, no Village Mall. Mas é na rua onde se sente mais livre, declara o artista.

No Rio, seus registros podem ser conferidos em Santa Teresa, Gávea, Laranjeiras, Lagoa e São Conrado.

A série “Mistérios do fundo do mar” ganhou, recentemente, um novo painel com cerca de cem metros de comprimento na Praia de São Conrado. A inspiração, segundo o artista, está na cidade e em suas belezas naturais.

— A ocupação através de um trabalho artístico só enriquece o espaço. O tema do mar tem tudo a ver com o nosso entorno de praia — comenta Paula Ibarra, sócia de Daniela Maia e Rick Amaral no Quiosque Qui Qui, perto do qual está o grafite.

Sagitariano, o artista relata que seu estilo foi um “presente do universo”.

— Começava a desenhar de manhã e só parava à noite. Eu queria pintar diferente e criar algo próprio — diz o artista, que tem como referências Roberto Magalhães, Jenny Saville e Robert Rauschenberg.

Smael começou na cena do grafite na década de 1990. Foi um dos precursores a ocupar as ruas do Rio com esse estilo de arte, ao lado de nomes como Swk e Jow, incentivados por Fábio Ema e Marcelo Eco, de São Gonçalo, pioneiros no estilo. O carioca conta que o grafite expõe o indivíduo a todas as mazelas da cidade.

O artista, que já deu aulas na Fundição Progresso, no Circo Voador, na Colônia Juliano Moreira e nos complexos da Maré e do Alemão, acredita que a arte tem a função de inspirar e influenciar as pessoas.

Este ano, vai coordenar um projeto social de grafite voltado para jovens no Instituto Caio Bacellar, em Búzios.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior