Recentemente, o velódromo construído para os Jogos do Rio ganhou destaque em jornais por manter o ar-condicionado ligado, mesmo estando fechado. Já se sabe que o motivo do “gasto” de energia é a conservação do piso de madeira do estádio. Mas o que os vizinhos do Parque Olímpico querem é poder aproveitar o legado de que tanto se falou. E essa é a proposta do Rio Bike Fest, que vai promover o Campeonato Estadual de Pista 2017, além de passeio ciclístico, feira de negócios e apresentações de BMX Freestyle (aquelas manobras radicais com bicicletas de aro 20) entre os dias 26 e 28 deste mês. A gastronomia ficará a cargo de food bikes.
Segundo Rodrigo Babo, diretor de pista da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, o evento tem como principal finalidade divulgar o velódromo como local de treino de atletas de ponta. Desde o início do mês, o equipamento tem sido aberto para esta finalidade às terças e às quintas, das 16h às 21h; e aos sábados, das 14h às 18h. Para treinar no local, é preciso atender a alguns pré-requisitos: ter a bicicleta específica para o esporte, ser atleta federado e ter feito clínica de habilitação para uso da pista.
Até para Babo, a abertura do velódromo para treinos é uma grande conquista. Ele pratica ciclismo nas ruas três vezes por semana, durante duas horas e meia, e comemora o fato de já pode usar o legado olímpico para se preparar para o campeonato, do qual vai participar na categoria Master 1, de 35 a 44 anos.
— É um sonho. Esse é o velódromo mais rápido do planeta. Nele, foram batidos 33 recordes mundiais. É uma honra para qualquer atleta poder treinar nessa pista — diz.
O Rio Bike Fest terá como principal atração o Campeonato Estadual de Pista 2017, com entrada gratuita, realizado nos três dias de evento. A competição será disputada em mais de dez categorias e conta pontos para os rankings nacional e estadual.
Para o professor de educação física Antonio Ferreira, a reabertura do velódromo representa um resgate do ciclismo de pista, que ficou fora do mapa da cidade nos últimos quatro anos, desde que o equipamento construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007 foi desmontado. Ele fará parte da equipe de arbitragem do Rio Bike Fest:
— Vai ser muito emocionante. Foi muito triste ter que interromper os treinos da minha equipe no antigo velódromo. Todo o ciclismo de pista parou, foi um jejum que não fez bem ao esporte. Teve gente que até vendeu a bicicleta e migrou para outra atividade. Esse retorno será muito importante para uma nova tentativa de popularizá-lo. E, claro, pisar o local por onde os melhores do mundo passaram vai ser muito especial para mim.
O Rio Bike Fest também compreenderá um passeio ciclístico, que será realizado no dia 28, às 9h, e terá um circuito de 20 quilômetros. Os inscritos vão pedalar pela Avenida das Américas em direção à Avenida Ayrton Senna, dar a volta na Avenida Embaixador Abelardo Bueno e terminar o percurso na Avenida Salvador Allende. A inscrição (a R$ 20)dá direito a uma camisa e a um cupom para participar de sorteios de bicicletas e brindes após a chegada.
O evento também terá o seu momento divertido, com o BMX Freestyle. Atletas em bicicletas de aro 20 vão executar manobras que desafiam a gravidade, com giros e saltos no ar. As apresentações serão realizadas nas modalidades Flat, Dirt e Street.
Para completar, haverá a Expo Fair, primeira feira de negócios de ciclismo do Rio, que trará as novidades do mercado. Ela contará com estandes de marcas como Audax Bicicletas, Houston Bicicletas, Giant Bycicles, Marzocchi Suspensões, FSA, Voight, ERT Uniformes, Ativo Sports, Amazonas Bike e Nutri Health.
O assessor esportivo Marcelo Godoy, que atua no treinamento de atletas do ciclismo e do triatlo e vai participar do campeonato estadual, considera de extrema importância a promoção da feira durante a Rio Bike Fest. Ele percebe um crescimento de ambos os esportes nos últimos anos.
— Atualmente, o número de pessoas que participam de provas de ciclismo é cinco vezes maior do que há quatro anos. Com relação ao esporte praticado em pista, ainda não podemos mensurar, porque ficou tudo parado. Mas o mercado está sendo estimulado, e essa feira vai enriquecê-lo ainda mais — aposta.
No que depender do esforço de Babo, o ciclismo de pista colecionará boas estatísticas muito em breve. Ele está fazendo sua parte para que isso aconteça:
— O nosso maior desafio é capacitar atletas para usar o velódromo. Para o segundo semestre, está prevista a implantação de um projeto social, com escolas do entorno do velódromo, em que tentaremos buscar novos atletas. Há várias bicicletas sob o domínio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para retirarmos. Só dependemos do Ministério do Esporte, para aprovar o projeto; e do governo do estado, para pagar os profissionais envolvidos.
A dificuldade de tornar a modalidade popular, na opinião dele, deve-se, em grande parte, à falta de pistas. O velódromo do Parque Olímpico, que tem piso de madeira e está apto a receber competições de alto rendimento, é o único do gênero na América Latina. No Brasil, além desse, há outros dois, com piso de concreto e sem cobertura: um na capital paulista, e o outro em Curitiba.
— Só no velódromo do Rio o atleta pode treinar em dias de chuva, porque ele é coberto. Quero fazer a minha parte para disseminar o esporte e capacitar mais atletas nessa modalidade, mas, com poucas pistas no país, é difícil que ele atinja a popularidade de outras atividades do atletismo que dependem de menos investimentos — comenta.
Não basta treinar nas ruas para estar apto para as pistas. Além da bicicleta especial, o ciclismo praticado nos velódromos exige uma estrutura corporal mais robusta.
— Comecei a praticar o esporte como fisioterapia, porque fraturei os calcanhares quando praticava motocross. E fui convidado por um amigo para o ciclismo de pista porque ele achou que eu tinha o corpo de um atleta dessa disciplina, diferente da estrutura dos que treinam nas ruas, que precisam ser mais magros. Deu certo. Fui campeão carioca na categoria de elite nos anos de 2010, 2011 e 2012 — conta ele, que assumiu a direção do velódromo olímpico em fevereiro.
Vôlei de praia no parque
A onda de impulsionar o uso dos equipamentos do Parque Olímpico também chegou à arena de tênis, cuja quadra será reaberta para sediar o Circuito Mundial de Vôlei de Praia, que começa na próxima quinta e vai até a segunda-feira seguinte. Sim, é isso mesmo: vôlei de praia na quadra de tênis. De acordo com o diretor de vôlei de praia da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Fulvio Danilas, essa é uma prática muito comum em todo o mundo.
— Eventos de vôlei de praia em arenas de tênis, para evitar a ociosidade das quadras, são realizados em muitos países. Isso começou nos Estados Unidos, mas também é feito na Alemanha e na República Tcheca — conta ele, acrescentando que a medida é econômica. — Aqui, já temos toda a estrutura pronta, pois ela é permanente, e muitas vagas de estacionamento. O único trabalho é trazer a areia e cobrir a quadra com três camadas de lona bem resistente para não danificá-la. Se fôssemos fazer o torneio na praia, teríamos de pagar caro à prefeitura para ocupar o espaço de que precisaríamos e alugar a arquibancada de uma empresa. E o público não teria muito conforto.
É a segunda vez que a quadra de tênis olímpica será usada com essa finalidade. Em fevereiro passado, a CBV promoveu no local o torneio Gigantes da Praia.
— Foi um sucesso. Os atletas gostaram muito da areia que colocamos, e o público parecia bem satisfeito — lembra Danilas.
Na época, a arena tinha acabado de ter as estruturas provisórias, que atendiam às exigências da Olimpíada, retiradas. E precisava de reparos.
— Ficaram uns vãos nas arquibancadas que precisavam ser isolados. Como contrapartida pelo empréstimo da quadra, instalamos guarda-corpos e outros equipamentos de segurança — explica Danilas.
Desta vez, a CBV também vai oferecer uma benfeitoria pela gentileza:
— Vamos construir quatro quadras de vôlei de praia na parte externa do Parque Olímpico com a areia que trouxemos para a arena de tênis. Elas ficarão à disposição do público. Com isso, queremos incentivar a prática do esporte — diz Danilas.
O Circuito Mundial de Vôlei de Praia é disputado desde 1987, e o Brasil, país mais vitorioso na modalidade, recebeu ao menos uma etapa por ano desde o início do giro internacional. O Rio de Janeiro foi palco de disputas em 16 oportunidades, todas realizadas na praia. Será a primeira vez que a competição acontecerá em uma arena esportiva multiuso no país. A fase de grupos terá 64 duplas (32 no masculino e 32 no feminino). O Brasil já tem oito times garantidos, e esse número pode chegar a 12, com a disputa do qualificatório, realizado um dia antes do início do evento.
Prestigiado, o torneio contará com os atuais campeões olímpicos, os brasileiros Alison e Bruno Schmidt, e as alemãs Laura Ludwig e Kira Walkenhorst, além das medalhistas de prata Ágatha e Bárbara Seixas, agora com novas parceiras.
As partidas serão disputadas em quatro quadras, sendo três delas externas, ao lado da arena de tênis, e uma dentro do próprio complexo, que será palco de todas as semifinais e finais. Mais de 1.700 toneladas de areia foram utilizadas na montagem.
Os jogos começam sempre às 9h, com entrada franca até a sessão matutina de sábado. Os ingressos para as demais disputas, de semifinal e final, podem ser adquiridos em tudus.com.br/evento/circuito-mundial-volei-de-praia.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo