Parceria entre Instituto Reação e Gurumê, projeto social forma nova turma de sushiman

O dia 21 de janeiro ficou marcado para oito homens de baixa renda que, até então, estavam sem perspectivas de conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Na ocasião, numa cerimônia realizada na Taquara, eles vislumbraram um futuro mais promissor ao receberem o certificado para atuar como sushiman. A oportunidade para eles — profissionais com idades entre 20 e 40 anos —, deu-se graças à Escola de Sushiman, projeto social do Instituto Reação, do ex-judoca Flavio Canto, em parceria com o Gurumê, restaurante de cozinha oriental contemporânea que tem unidades na Barra.

Dos oito formados, dois baterão ponto a partir deste mês na unidade Rio Design Barra. Outros dois, garante o Gurumê, já têm vaga garantida em outras filiais da rede.

Esta é a segunda turma de sushiman formada pelo projeto, iniciado em 2017. De acordo com Daiti Ieda, chef executivo da rede e desenvolvedor do curso que tem conteúdo prático e teórico, a ideia da Escola de Sushiman surgiu, entre outros motivos, pela dificuldade encontrada pela rede em contratar profissionais qualificados naquela área na época da abertura da loja do Rio Sul, em 2018. A estratégia, então, era criar a partir dali uma equipe de profissionais desde a base.

Observando os funcionários que já trabalhavam na casa, Ieda conta que percebeu que muitos tinham algo em comum: eram adeptos de esportes ligados às artes marciais, como jiu-jítsu, judô e muay thai.

— Percebemos que eles tinham disciplina no trabalho, respeito e dedicação, comportamento que se aprende na luta e que têm tudo a ver com a gastronomia e com a filosofia oriental. Um dos sócios já conhecia o Flávio Canto, e então desenvolveu o projeto social com a ONG — detalha o chef, ressaltando que para o próximo ano a meta é abrir 15 vagas.

Morador de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, Matheus Ferreira é o mais novo funcionários do Gurumê do Rio Design Barra. Antes de ingressar nas aulas em busca de qualificação, o jovem, que já tinha experiência como cozinheiro, estava desempregado há sete meses. Ciente da oportunidade de cursar as aulas gratuitamente, ele conta que se dedicou ao máximo:

— Hoje em dia, qualquer curso é muito caro. Eu falava para mim mesmo que não podia ser menos que o segundo ou o terceiro mais bem avaliado. Dormia e acordava estudando. Semana passada pediram para eu passar no restaurante para me entregarem o certificado. Quando menos esperava, falaram: “parabéns, está contratado”. Até chorei — conta Ferreira, de 23 anos.

À frente do Instituto Reação, o ex-judoca Flavio Canto se diz orgulhoso da parceria com o restaurante:

— A gente vê a chance sendo dada; a garotada e o pessoal mais velho abraçando a oportunidade com tudo e alguns já saindo empregado. É o pacote completo.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior