Obra que tinha dado lugar ao VLT deve ser devolvida à cidade até o fim deste mês

Em uma cidade assombrada pela destruição de seu patrimônio, o renascimento de um monumento carioca serve de alento. A obra Escultura para o Rio, do artista Waltercio Caldas, deve ser devolvida à cidade até o fim deste mês. Derrubada há quatro anos para as obras do VLT, a estrutura está sendo reconstruída a cinco metros da posição original, no encontro das avenidas Beira-Mar e Antonio Carlos, próximo à Maison de France, no Centro.

Formada por dois bastões que parecem emergir da calçada de pedras portuguesas, seu desaparecimento da paisagem tinha provocado a revolta de artistas. Na época, O GLOBO adiantou que a escultura seria reerguida, após um acordo firmado com Waltercio, que chegou a receber um termo de compromisso da concessionária VLT Carioca. Ele conta que aceitou o projeto mediante uma contrapartida:

— A intenção era que ela estivesse exatamente naquele local de passagem. Propus, então, que a estrutura fosse deslocada apenas quatro ou cinco metros, permanecendo na mesma ilha e permitindo o trajeto do VLT.

No próximo dia 16, a demolição completa quatro anos. No local do novo monumento, já foram erguidos os dois tubulões cobertos por pedras portuguesas. A próxima etapa, que deve durar duas semanas, simulará o efeito do encontro do eixo com a calçada.

Na contramão
A iniciativa de reconstrução é exceção no Rio, apesar de a cidade ter recebido da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2012. Ao levar em conta o descaso com importantes peças da história carioca, Waltercio reconheceu o privilégio de ter sua criação recuperada:

— Como artista, acredito que colaboro humildemente com a restauração de um otimismo que tem sido raro na cidade. Na posição de cidadão, acho que é muito boa a preservação desse patrimônio, construído com o dinheiro das pessoas. A escultura não pertencia a mim, mas ao Rio. A simbologia da reconstrução de uma obra de arte é bem-vinda.

Erguida em 1996, a estrutura fez parte de um projeto que selecionou artistas para a implantação de esculturas pela cidade. A escolha pelo acabamento em pedras portuguesas, segundo Waltercio, foi inspirada no que ele chama de “pele da cidade”, que reveste boa parte das calçadas do Centro e da orla da Zona Sul.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior