Lá se vão 25 anos desde que a montagem original de “Confissões de Adolescente” estreou no porão da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. Dois anos depois, em 1994, o texto da autora e atriz Maria Mariana, baseado em seus diários, ganhou uma adaptação para a televisão na TV Cultura e as personagens, as quatro irmãs Diana, Bárbara, Natália e Carol, conquistaram o país.
Em homenagem à data, Maria e a diretora Bia Oliveira, sua prima, trazem ao do Teatro da UFF uma nova versão do espetáculo. O elenco formado por Ana Vitória Bastos, Giulia Costa, Jennifer Nascimento, Fernanda Alice e Jean Amorim.
— O texto é o original, sem nenhuma adaptação. Há uma remontagem na direção, o tempo está mais rápido. Além disso, temos um menino na peça, que faz os papéis masculinos — conta Bia.
O espetáculo e a série originais abriram as portas, nos anos 1990, para produções que tratavam os jovens de uma maneira franca e direta, sem tratá-los como crianças.
— Foi um grande baque na época. Porque era uma menina falando verdades sobre masturbação, sexo, gravidez etc. Foi um choque e virou uma febre nacional. Eu era um pouco mais velha, mas a Maria era muito nova quando escreveu e eu tenho uma irmã da mesma idade. Nós vivemos todos os temas, todas angústias que são mostradas na peça. As meninas vivem até hoje — diz Bia, que trabalhou na produção do espetáculo original.
Para a diretora, independentemente da montagem, os temas tratados por “Confissões de Adolescente”, são atemporais.
— Meu bisavô fez sexo pela primeira vez. Meu avô deu o primeiro beijo. A diferença é que o que minha geração fez com 16 anos a de hoje faz com 12. Ainda é importante abordar esses assuntos. Porque o aborto ainda é polêmico, a maconha também, as meninas continuam a tomar a pílula do dia seguinte. É importante mostrar a essa juventude que não é só ela que tem ou teve problemas — diz Bia.
A atriz Ana Vitória Bastos, remanescente de uma montagem que diretora e autora levaram a algumas cidades, como São Paulo e Vitória, ano passado, concorda com Bia.
— A minha personagem trata da questão da virgindade e do aborto. Tem uma cena, logo depois que ela conversa com o pai, em que ela desce (do palco) para conversar com as jovens e os pais. As meninas se identificam, é gostoso ver nos olhos das adolescentes essas angústias — conta Ana, que também participou do filme de 2013, dirigido por Cris D’Amato e Daniel Filho.
Com exceção de Giulia Costa, que tem 16, as atrizes da nova versão são um pouco mais velhas que as personagens que interpretam. Elas já estão no início dos 20 anos.
— É fascinante vê-la interagindo com as outras, porque ela está vivendo todo esse turbilhão. Mas, ao mesmo tempo, as outras também não deixam de estar. Isso porque, hoje, os jovens são adolescentes estendidos. Muitos ainda não saíram de casa. Um dos meus filhos, por exemplo, tem 26 anos e só agora ele me disse que se sente maduro para morar sozinho — diz Bia.
— Nós nos aproximamos, eu e as meninas. Porque todo o processo foi muito rápido, para estrearmos aqui em Niterói. A gente se uniu para criar uma cumplicidade o mais rápido possível. Isso foi ótimo. Porque a ideia é abrir um pedaço da intimidade, abrir a porta de casa para falar de nossas angústias, dos que nós torna humanas. Então, para fazer isso, é bom estar ao lado de quem você tem confiança — complementa Ana Vitória.
Uma nova canção foi escrita especialmente para a peça. A música foi composta por Bárbara Dias, ganhadora do quadro “Iluminados”, do Domingão do Faustão.
— É uma novidade. Abrimos com o tema original, clássico, e fechamos o espetáculo com essa nova composição — diz Bia.
Fonte: O GLobo
Foto: Divulgaão/Drica Donato
Postado por: Raul Motta Junior