No dia de seu nascimento, legado de Clarice Lispector é celebrado em eventos pelo país

Em 10 de dezembro de 1920, nascia a escritora ucraniana de texto singular e densa personalidade que viria a fincar raízes no Brasil. Representada por uma estátua de bronze sentada na mureta do Leme — bairro onde morou por 18 anos — ao lado do seu cão fiel, Ulisses, Clarice Lispector continua a observar a vida. Homenagens ao legado literário deixado pela autora são feitas todos os anos no dia do seu aniversário, em uma programação extensa batizada como “Hora de Clarice”.

Pioreiro nas homenagens, o Instituto Moreira Salles (IMS), na Gávea, terá o sábado repleto de atividades gratuitas: às 16h30m, haverá um bate-papo com as tradutoras de sua obra Katrina Dodson e Paloma Vidal; às 18h30m, o público poderá acompanhar a leitura das cartas de Clarice às irmãs Tânia e Elisa, com as atrizes Georgiana Góes, Gisele Fróes e Raquel Iantas, e direção de Bruno Lara Resende. Haverá ainda leitura de trechos do livro “Água viva”, na qual os participantes serão convidados a produzir textos e imagens.

De domingo até o dia 10 de março, os espaços de arte contemporânea do Museu da República, no Catete, serão ocupados pela exposição “Somos todos Clarice”. A abertura da mostra será sábado, às 17h, com performance da artista plástica Panmela Castro, envolvendo um vestido de 20 metros de comprimento que cobrirá os jardins do museu.

— Tem uma frase de Clarice que diz: “Eu vou ao encontro do que me espera”. E cada artista foi ao encontro da Clarice que o esperava. Cada olhar encontrou um de seus mistérios. Às vezes uma frase ou um conto, uma indagação ou uma imagem sugerida são o ponto de partida para mais questionamentos — diz a idealizadora Isabel Portella.

Outra atividade programada para domingo será o tradicional passeio O Rio de Clarice, guiado pela biógrafa Teresa Montero, desta vez pelo Leme, das 9h30m ao meio-dia. Participarão do encontro o grupo teatral No Palco da Vida e a jornalista Mariana Müller. Na ocasião, o artista plástico Edgar Duvivier vai reparar um dano na estátua de Clarice, por ele esculpida.

VEJA A PROGRAMAÇÃO:

Atividade educativa

“Este não é um livro porque não é assim que se escreve”. Atividade educativa para adultos e crianças a partir de 6 anos (limite de 25 pessoas). Informações: 3284-7485. Sábado, das 16h às 18h. Instituto Moreira Salles. Rua Marquês de São Vicente 476, Gávea.

Tradutoras

Bate-papo com as tradutoras Katrina Dodson (The Complete Stories) e Paloma Vidal (“La legión extranjera” e “Un soplo de vida”). Sábado, a partir das 16h30m. Instituto Moreira Salles.

Cartas

Leitura de cartas de Clarice Lispector às irmãs Tania e Elisa, com as atrizes Georgiana Góes, Gisele Fróes e Raquel Iantas. Sábado, a partir das 18h30m. Instituto Moreira Salles.

Mostra

Abertura da mostra “Somos Todos Clarice”, na Galeria do Lago, no Museu da República, com a performance “A imitação da rosa”, da artista plástica e grafiteira Panmela Castro, às 17h. Visitação de terça a sexta, das 10h ao meio-dia e das 13h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h. Grátis. Livre. Até 12 de março.

Hora de Clarice

A partir das 9h30m, com ponto de encontro na Pedra no Leme, o evento terá roda de leitura musical, passeio guiado e apresentação teatral.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Arquivo/28-03-1961