Há pouco mais de três anos, Adair Herrera pegou sua moto e saiu de Buenos Aires, numa viagem com destino ao Rio de Janeiro. Antes disso, entretanto, passou uma temporada de verão no Uruguai, onde trabalhou como chef, sua profissão desde os 17 anos. Quando o frio chegou no país vizinho, ele deu a partida e demorou pouco mais de quatro dias, com algumas paradas, é claro, até chegar à Cidade Maravilhosa. O que o encantava aqui é o que lhe desperta felicidade até hoje: a vida urbana com pausa para um mergulho na praia sempre que o bicho pega ou a vontade bate.
Além de ter aderido de primeira ao lifestyle carioca — morador do Recreio, costuma ir à praia quatro vezes na semana — e incorporado algumas gírias ao vocabulário, Herrera já se apaixonou pela farofa (de ovos, inclusive), pela batata-baroa e pelas misturas salgadas com banana. Mas seu portunhol não engana ninguém, nem seu local de trabalho. Chef do Tragga, casa especializada em carnes argentinas, ele está sempre em contato com a gastronomia de seu país, da qual tanto gosta. Legítimos cortes argentinos são preparados com simplicidade, mas muito sabor, na brasa bem quente, com sal, pimenta e, algumas vezes, manteiga clarificada. Para acompanhar, guarnições que fazem a ponte entre os dois países.
— Os cortes argentinos são bem diferentes dos brasileiros. Não usamos a picanha lá na Argentina, por exemplo. Toda mesa tem uma cesta de pão, mas o pão de alho, aquela coisa maravilhosa, só tem aqui. Mesmo assim, prefiro a gastronomia do meu país — brinca ele, que aprendeu a cozinhar após ficar desempregado na área de informática e ser convidado por um amigo para uma vaga em seu restaurante.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior