Na Zona Sul, moradores de rua são recolhidos, mas alguns retornam horas depois

Prefeitura e governo do estado se uniram nesta segunda-feira para dar uma resposta a um problema que está nas ruas não é de hoje. Mais de cem gentes de 17 secretarias e órgãos públicos amanheceram na Zona Sul para fazer uma megaoperação de ordenamento urbano com foco na população de sem-teto . Eles se depararam com situações com a de um homem de 39 anos que montou uma cabana no alto de uma árvore na orla da Lagoa . Entre os galhos, foi encontrado um saco com 15 latas de solventes, um cachimbo improvisado e uma tesoura. Com cinco passagens pela polícia , mas sem mandado de prisão, ele contou ter casa em São João de Meriti. Ele, cujo nome não foi divulgado, foi levado de volta para casa. Outros, levados para abrigos , retornaram depois às ruas.

As pessoas que moram nas ruas ganharam mais atenção das autoridades após um sem-teto em surto matar duas pessoas a facadas na Lagoa, no mês passado. A prefeitura regulamentou a internação involuntária de usuários de drogas que vivem nas ruas, e o estado decidiu ajudar nos acolhimentos com o Programa Segurança Presente. O morador da árvore será acompanhado.

— Vamos cadastrá-lo para que ele possa receber um curso de capacitação técnica. Pelo que conversamos, ele é marceneiro. Também tentaremos arrumar um emprego — disse o presidente da Fundação Leão XIII, Allan Borges.

Sem lugar para animais: um policial revista um morador de rua na Praça General Osório, em Ipanema, que não quis ir para abrigo porque não poderia levar seu pitbull. À noite, foram feitas outras oito abordagens e nenhum acolhimento. As ações começaram no início da manhã no Jardim de Alah, no Leblon Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
Sem lugar para animais: um policial revista um morador de rua na Praça General Osório, em Ipanema, que não quis ir para abrigo porque não poderia levar seu pitbull. À noite, foram feitas outras oito abordagens e nenhum acolhimento. As ações começaram no início da manhã no Jardim de Alah, no Leblon Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
O secretário estadual de Governo e Relações Institucionais, Cleiton Rodrigues, que acompanhou a operação, disse que o cenário nas ruas é de “guerra”. Segundo ele, o Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, serve de “quartel-general” para criminosos. Lá, foram achados quatro facas e um espeto de churrasco.

— Precisamos dar dignidade a essas pessoas, mas estamos em uma guerra. Precisamos ocupar o território e devolvê-lo para o carioca, para o turista — disse Rodrigues.

“Precisamos dar dignidade a essas pessoas, mas estamos em uma guerra. Precisamos ocupar o território e devolver esse espaço para o carioca, para o turista. Isso é fundamental”

CLEITON RODRIGUES
secretário estadual de Governo e Relações Institucionais
Dois tinham ficha criminal
No parque, de três homens abordados, dois tinham passagens por roubo e porte de droga, mas sem pedidos de prisão. Um outro, o paulista Laerte Aparecido Rodrigues Porangaba, de 25 anos, era considerado desaparecido pela família desde junho de 2018. Na delegacia, os parentes dele seriam contatados.

A megaoperação Marcha pela Cidadania e Ordem fez 32 atendimentos pela manhã, entre encaminhamentos e acolhimentos. O GLOBO foi ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social Maria Lina, em Laranjeiras, para onde cinco pessoas teriam sido levadas, mas nenhuma delas tinha chegado ao abrigo até o início da tarde. Três foram para o Hotel Solidário da Central, onde tomaram banho e almoçaram. Depois, voltaram para as ruas. À noite, em nova operação, oito foram abordados. No Rio, segundo estimativas do prefeito Marcelo Crivella, há dez mil moradores de rua. A Defensoria fala em 15 mil pessoas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior