Ruas alagadas e piscinões que acumularam água quase no limite de sua capacidade mostraram que os mais de R$ 500 milhões investidos nos últimos anos para tentar acabar com as enchentes na Tijuca, no Grajaú e na Praça da Bandeira não foram suficientes para resolver os problemas causados por fortes chuvas. Nesta quinta-feira, a prefeitura atribuiu os transtornos do temporal do fim da tarde de quarta-feira a um grande volume de precipitação nas cabeceiras de rios da Zona Norte, mas admitiu que o sistema de macrodrenagem da região pode precisar de obras de redimensionamento.
Frequentes por muitos anos, os alagamentos no entorno da Praça da Bandeira se tornaram raros após a construção de três piscinões subterrâneos (dois deles ficam em outros locais, sob as praças Niterói e Varnhagen). A última vez que ocorreram em grande proporção na região foi em 2016. Agora, nem mesmo a conclusão das obras (em abril de 2019) de desvio do curso do Rio Joana, que permite seu deságue direto na Baía de Guanabara, evitou o problema.
— A estrutura de drenagem na região, assim como em boa parte da cidade, é muito antiga. A questão é que até hoje o sistema de escoamento não foi inteiramente implantado. Não dá para descartar a possibilidade de acontecer novos alagamentos durante as chuvas de verão — disse Paulo Canedo, professor de recursos hídricos da Coppe/UFRJ.
Problema em rio
O projeto original previa a instalação de quatro piscinões com capacidade para 281 milhões de litros. Devido ao alto custo, só foram construídos três, que podem receber 119 milhões de litros ou 42,3% do que havia sido planejado. Apesar disso, o presidente da Fundação Rio-Águas, Claudio Dutra, afirmou que não pode atribuir a causa dos alagamentos de quarta-feira à falta de um reservatório.
— Em pouco mais de uma hora, registramos índices entre 80 e 100 milímetros de chuva nas cabeceiras dos rios Joana, Maracanã e Papa-Couve. Os piscinões não transbordaram, foram outros problemas que causaram os alagamentos. Parte do talude de sustentação de um trecho do Rio Maracanã desabou próximo à Rua Eurico Rabelo, obstruindo a passagem da água. Devo frisar que, se não fossem os piscinões, ainda teríamos ruas alagadas na manhã de hoje (nesta quinta-feira) — argumentou Dutra.
Segundo o Climatempo, das 16h às 20h de quarta-feira, o volume de chuva chegou a 48mm na Grande Tijuca, quase a metade do esperado para o mês (99,1mm). Segundo o presidente da Rio-Águas, foram iniciados, em outubro do ano passado, estudos para avaliar a necessidade de novas intervenções na drenagem da região:
— As redes foram dimensionadas para suportar picos de chuvas calculados em cima de registros de um período de 25 anos. Mas temos tido índices que não se viam há 35.
No temporal de quarta-feira, o piscinão da Praça da Bandeira, capaz de armazenar 18 milhões de litros, atingiu 95% de sua capacidade. Devido ao risco de transbordamento, o Centro de Operações Rio chegou a planejar a interdição de vias do entorno, o que acabou não acontecendo porque o volume de chuva diminuiu.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior