Mercado Brasil de Artesanato Tradicional reunirá artesãos de 22 estados no Catete

Há demarcações culturais no mapa do Brasil que vão além das fronteiras geográficas. Se as regiões pudessem ganhar uma roupagem, o Tocantins seria todo iluminado com o capim dourado do Jalapão; o Ceará ficaria coberto com a renda de labirinto de Icapuí ou ornamentado com as garrafas de areia de Aracati; e o Pará poderia ganhar o colorido dos brinquedos de miriti de Abaetetuba ou um ar rústico com as cuias de Aritapera. Essas manifestações artísticas e outras de pelo menos 22 estados estarão em um grande encontro que ocupará o parque do Palácio do Catete de hoje até domingo, das 11h às 19h: o Mercado Brasil de Artesanato Tradicional. É uma boa oportunidade para conhecer de perto o ofício que move gerações e ainda adquirir peças exclusivas direto de quem as produz, a preços mais acessíveis.

Esta é a 4ª edição do evento, integrado ao Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart), iniciativa do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) e da Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro. A feira vai reunir mobiliário, artigos para casa, acessórios, vestuário e outras criações.

— É um evento voltado para a comercialização qualificada do artesanato de tradição cultural. Não adianta investirmos em produção de artesanato para gerar renda se temos um mercado que desconhece que artesanato é esse, que pessoas são essas, que matéria-prima é essa, quanto tempo demora para fazer, como ele trança, como ele tece, qual é a sazonalidade. As pessoas só valorizam o que conhecem — diz Claudia Marcia Ferreira, diretora do Museu do Folclore e do CNFCP.

Bonecas de pano de Esperança, Paraíba – Divulgação/Flavia Correia
O Promoart, coordenado por Bete Vicari, atua em 65 polos, segmentados pelo trabalho com determinado produto ou técnica. Na perspectiva de pesquisar, documentar, fomentar, apoiar e difundir o legado desses grupos, o programa oferece apoio de forma ampla, como na confecção de cartões de visita e outras ferramentas de marketing; na oferta de espaço para exposição individual (Sala do Artista Popular); na reforma de espaço; na compra de equipamentos e de matéria-prima; no intermédio de oficinas de repasse de saber. Feito o diagnóstico das necessidades de cada um, os projetos são moldados também conforme recebem a adesão de parceiros locais, entre universidades e ONGs ou da esfera pública.

Um dos expositores, Nilberto de Freitas Silva é integrante da Associação de Artesãos de Majorlândia, no Ceará, e produz as famosas garrafinhas de areia de Aracati. Desde 2011, o grupo de cerca de 30 artesãos que trabalha com ele recebe suporte do Promoart.

— A divulgação foi o carro-chefe porque temos conseguido algumas encomendas. Eles fizeram acessórios para nós, como um catálogo muito bem elaborado a respeito do histórico da nossa arte. Os produtos que colocam na loja do museu, que é muito visitada, nos ajudam muito também. Pelo site do Promoart recebemos pedidos do Brasil todo — conta Silva, salientando que o frete custoso ainda é um empecilho para a clientela.

Há três décadas no ramo, ele faz parte da terceira de quatro gerações trabalhando com o trunfo local. Sua avó foi a precursora da arte, para a qual usufruía das vastas falésias da região. Para desenhar uma casinha de pescador, uma jangadinha ou coqueiro em uma garrafinha de 20cm, Silva leva em torno de duas horas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Hermes de Paula/ Agência O Globo