Só de observar a goiana Lian Tai, de 33 anos, é possível vislumbrar uma de suas fantasias de carnaval: a de índia. Descendente de pai e mãe chineses, é dona de charmosos olhos puxados que, nos dias de folia, recebem um banho de tinta vermelha no seu contorno e são harmoniosamente combinados com penachos coloridos. Há uma década, a moradora do Catete fincou raízes no Rio, onde se equilibra entre os papéis de atriz, modelo e estudante. Ela cursa doutorado em Comunicação Social na UFF.
– Muita gente pergunta se sou índia. Tenho muito afinidade com esssa cultura e contato com algumas etnias - conta a candidata à musa do carnaval.
Na folia, também encarna a figura de Yoko Ono, viúva do beatle John Lennon. A personagem lhe rendeu uma homenagem do Bloco do Sargento Pimenta, no qual desfila todo ano ao lado de seu companheiro, o ilustrador Daniel Gnattali, que por sua vez se veste de John Lennon.
– O Daniel já era o John Lennon do Sargento Pimenta quando o conheci (no bloco Sassaricando, em 2012). Em 2014, resolvi acompanhá-lo como Yoko Ono e foi um sucesso. O bloco acabou nos adotando. Mas confesso que na vida real o meu beatle preferido é o George Harrison - admite Lian, que não tem intimidade com instrumentos de percussão. - Arrisco brincar com uma maraca de vez em quando.
O carnaval só entrou para valer na vida da musa quando se mudou para o Rio a trabalho. Antes disto, tem na memória um álbum de fotografia com imagens de quando sua fantasia resumia-se a um acessório pendurado ao pescoço.
– Quando era pequena, morava em Goiânia. Lá não tem muito carnaval. Minha mãe, que era super animada, levava eu e todas as crianças do prédio de ônibus ao bailinho do clube. Nas fotos, todas as meninas aparecem de calcinha e cordão florido – lembra.
Por mais que seu caso de amor com o carnaval tenha um tempo de vida possível de contar nos dedos das mãos, Lian, que nunca pôs os pés na Sapucaí, tem suingue quando o assunto é folia. Antes mesmo da festa oficial começar, ela tem “desfilado” nos ensaios da Orquestra Voadora, no MAM.
– Carnaval é um momento lúdico. Sempre amei me fantasiar, brincar. Gosto das interações que criamos com os outros foliões em função das fantasias. A graça é o clima de brincadeira – avalia.
Como qualquer folião, Lian tem um infalível ritual de carnaval. Curte mais os blocos de manhã (de noite, nem pensar), seu café transforma-se num balde de açaí, faz uma pausa para almoçar entre um bloco e outro, e mais um detalhe: não bebe cerveja.
– Costumo acordar cedo para pegar os primeiros bloquinhos e passo o dia na rua. Evito os que têm clima de pegação. Prefiro manter a energia leve e me preservar pra estar inteira no dia seguinte – conta.
Por enquanto, seu roteiro resume-se aos blocos Cordão do Prata Preta, Céu na Terra, Sassaricando, Boitatá, Boitolo, Toca Raul, Orquestra Voadora e, naturalmente, Sargento Pimenta.
Descendente de pai e mãe chineses, Lian é dona de charmosos olhos puxados – Fernando Lemos / Agência O Globo
Além dos trabalhos como modelo e atriz, Lian é autora de um blog e escreve crônicas sobre viagens para o site De Mala e Mochila. Outro plano é publicar o livro “Crônicas de Varanasi”, um caderno de anotações feito nos três meses em que morou na Índia, no ano passado. Nos intervalos, aproveita para fazer trilhas e dar um mergulho em Ipanema, tudo ao som de MPB e folk.
– Minha segunda casa no Rio é a Pedra da Gávea. Sou solar: enquanto tem sol preciso ficar ao ar livre. Quando anoitece, volto pra casa - resume Lian que tem sol em Touro.
Fonte: O GLobo
FOto: Raphael Dias / Divulgação/Riotur
Postado por: Raul Motta Junior