Irmãos peruanos vestidos de Alien e Predador atraem muitos cliques em Copacabana; cada foto custa R$5

Se você esbarrar com um Alien e um Predador em Copacabana ou na Praça Mauá , não se assuste. Os dois homens fantasiados de personagens — constantemente parados para tirar fotos — são mochileiros peruanos que chegaram ao Brasil para assistir à Copa América e resolveram ficar um pouco mais.

Os irmãos Miguel Vega, de 22 anos, e Alberto Gabriel, de 32, escolheram uma inusitada forma de custear a viagem: aos sábados e domingos, e alguns — poucos — dias da semana, se caracterizam e percorrem as ruas da cidade, cobrando R$ 5 por fotografia.

— Só vamos [trabalhar] quando queremos. Escolhemos essas fantasias porque, apesar de serem de um filme antigo, inspiram medo e são divertidas. Às vezes, assistimos ao vídeo antes de irmos para a rua para ter uma melhor atuação — conta o caçula, que está na estrada há um ano e meio. Ele ainda completa: — Como parte negativa, tem o cansaço e o calor, mas adoro ver a reação das pessoas, principalmente das crianças.

Os trajes são artesanais, feitos à mão com material reciclável: plástico, meia-calça arrastão e panos. Em dia de bom faturamento, os peruanos conseguem ganhar cerca de R$ 300 juntos. Já nos ruins, a média é de R$ 100.

Nesse domingo (21), Alien e Predador foram a atração do Posto 5 da praia de Copacabana. O biólogo Raver Oliveira, de 25 anos, que mora no Maceió e está no Rio de férias, aproveitou para tirar uma foto:

— Achei incrível o figurino! Queria saber como eles fizeram para eu imitar e usar no carnaval.

A professora Vilma da Silva, de 54 anos, também adorou a visita inusitada. Acompanhada das duas netas — Samara, de 10 anos, e Sara, de 13 — comentou que os personagens estimulam a imaginação tanto dos adultos, quanto dos pequenos.

Alberto Gabriel, o irmão mais velho, é enfermeiro e há três anos largou tudo para conhecer novos lugares. Tendo já percorrido Argentina, Paraguai e Chile, afirma que o Brasil é o país mais difícil para ganhar dinheiro, apesar de já ter sido chamado para animar festas:

— Temos a língua como empecilho porque, muitas vezes, as pessoas não nos entendem. Também há o fato de que o Rio de Janeiro é a primeira capital que visitamos… pode ser isso também — pondera.

Para a enfermeira Juliana Zanon, de 33 anos, que mora em Campinas, os rapazes cobram menos que deveriam pelo trabalho artístico e ainda sugere:

— Só falta um fotógrafo profissional para acompanhá-los, tirar as fotos e imprimir na hora, como fazem em pontos turísticos… acho que poderiam cobrar até R$ 50 por cada imagem.

Até a data na próxima Copa América, quando viajarão para a Colômbia, pretendem explorar mais cidades brasileiras. A prioridade é visitar o Norte e o Nordeste, com destaque para o Estado da Bahia:

— O Brasil é muito grande. É como se fossem diferentes países! Por isso, queremos conhecer vários estados antes de cruzar a fronteira — diz Miguel.

Fonte: O GLobo
Postado por: raul Motta Junior