Iphan ainda não tem pistas sobre peças levadas de capela

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou nesta quarta-feira que ainda desconhece o paradeiro de peças roubadas da Capela de Sant’Anna, na Fazenda Colubandê, em São Gonçalo. No fim de janeiro, o Iphan e o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) sentiram falta de estruturas em madeira que integravam a igreja. De acordo com denúncia, foram levadas as talhas douradas do altar, além de outros materiais, incluindo portas da construção. Não se sabe, porém, o dia exato do furto. A capela foi desativada há cinco anos e, desde então, não conta com a presença de seguranças. A 74ª DP (Alcântara) investiga o crime.

Historiadores afirmam que as peças douradas, que lembram ouro, faziam parte do conjunto tombado há mais de quatro séculos. A Secretaria Estadual de Fazenda e Planejamento foi alertada sobre o ocorrido pela Secretaria Estadual de Cultura no dia 24 do mês passado.

PATRIMÔNIO ABANDONADO

Na ocasião, o arqueólogo e historiador Claudio Prado de Mello, fundador do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro (Ipharj) e membro do Conselho Municipal de Cultura do Rio, atribuiu o crime ao descaso do poder público, que também dificultaria o avanço das investigações.

— Faltam vontade e empenho para descobrir o paradeiro dessas peças. Poderia ser feita uma inspeção para tentar identificar digitais ou algo que indique os autores do roubo. A polícia deveria fazer uma investigação em ferros-velhos e locais da região onde se costuma armazenar esse tipo de material. Estamos falando de um patrimônio do século XVII, o mais importante do Leste Fluminense do Rio de Janeiro — ressaltou o historiador na época.

Descrita por historiadores como um marco da arquitetura colonial brasileira, a Fazenda Colubandê, construída em 1618, foi tombada em 1940 pelo Iphan. No entanto, o espaço está abandonado desde 2012, quando o Batalhão de Polícia Florestal da PM, que funcionava no local, foi desativado.

As peças entraram na lista de bens culturais procurados. A polícia pede aos que tiveram informações sobre o material e os autores do crime que entrem em contato com a Central de Atendimento ao Cidadão pelos telefones 2334-8823 e 2334-8835.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Luiz Ackermann / Luiz Ackermann