Instituto de Urologia oferece atendimento sem visar ao lucro

O advogado aposentado Sérgio Cruz da Silva, de 70 anos, passou vários meses sofrendo com dores, inchaços e uma grande dificuldade para urinar. Como não tem plano de saúde e não conseguia vaga em um hospital público, recorreu a atendimentos em pequenas clínicas particulares da Baixada Fluminense, onde nenhum médico conseguiu acertar o diagnóstico. Em outubro, ele descobriu que na Zona Portuária existe uma equipe de ponta que, especializada em casos como o seu, dá consultas a preços populares.

Instalado num espaço alugado dentro do Hospital da Gamboa, o Instituto de Urologia da Gamboa nasceu há oito anos e, desde então, vem oferecendo tratamento a pacientes de baixa renda.

— Este lugar foi uma ótima surpresa. Passei por muitas clínicas e acabei gastando um bom dinheiro sem melhorar. Chegaram a dizer que eu tinha câncer de próstata. Quando cheguei aqui, um especialista me examinou e me disse logo que não era isso. Ele descobriu que meu problema era um cisto no rim esquerdo — conta Sérgio, que não poupa elogios ao atendimento da equipe. — Outro dia, fui fazer um exame num laboratório e quando uma funcionária viu o nome de doutor Edison de Almeida e Silva no pedido afirmou que eu estava nas mãos do melhor.

Fundador do instituto, Almeida e Silva trabalha em famosas unidades médicas da Zona Sul, entre elas a Clínica São Vicente, na Gávea, e conta que decidiu montar o ambulatório na Zona Portuária porque acredita na função social da medicina. Mesmo com estrutura enxuta — são sete médicos e quatro funcionários, entre atendentes e auxiliares de enfermagem —, o Instituto de Urologia da Gamboa tem capacidade para atender até cem pacientes por dia e realizar 40 cirurgias por mês.

— Atualmente, realizamos cerca de 300 consultas e 20 cirurgias por mês. Nossa estrutura nos permite ir além disso. O objetivo é oferecer medicina de qualidade para pacientes que não podem pagar — diz Almeida e Silva.

No Instituto de Urologia, uma consulta custa R$ 72 e exames e cirurgias têm valores abaixo dos cobrados por hospitais particulares. As consultas são marcadas por telefone (2206-1700).

— O que cobramos para fazer exames e cirurgias é até 1/4 mais barato que em hospitais. Uma cirurgia de próstata que pode sair por R$ 40 mil na rede privada é realizada aqui por R$ 11 mil. Trabalhamos para curar os pacientes e tentamos adequar os custos à realidade de cada um — diz Almeida e Silva.

Já houve casos em que o médico abriu mão de seus honorários. E outros em que, diante da necessidade do paciente, a conta da cirurgia foi parcelada.

— Não funcionamos para ganhar dinheiro, só o que buscamos é pagar os nossos custos — conta ele, acrescentando que, algumas vezes, as contas “não fecharam” e a equipe se viu obrigada a arcar com algumas despesas do instituto.

Acostumado a atender pacientes de baixa renda na Gamboa, Almeida e Silva vêm observando uma mudança no perfil das pessoas que procuram o local. Além de pequenos comerciantes, as salas de espera da unidade passaram a acomodar profissionais de classe média que, com a crise econômica e o aumento do desemprego, passaram a buscar atendimento em clínicas populares.

— O número de pacientes assim tem aumentado mês a mês. As pessoas estão sem dinheiro — destaca Almeida e Silva.

Também tem aumentado a quantidade de pacientes que são segurados de planos de saúde em dificuldades financeiras. A secretária Maria Alice Loureiro, de 51 anos, recorreu ao instituto e conseguiu uma cirurgia de bexiga para a mãe, Maria Célia Loureiro, de 88 anos.

— Pagamos um plano de saúde para ela, mas, quando precisamos utilizá-lo, não fomos atendidos. Minha mãe precisava operar rapidamente e viemos para cá. Ela teve uma consulta na sexta-feira e foi operada na terça — contou, aliviada, Maria Alice.

O instituto funciona numa ala totalmente reformada. Tudo ali foi montado com investimentos dos próprios dos médicos (Almeida e Silva conta com o apoio do urologista Augusto Olavo Xavier na administração), —além doações de empresas e pessoas físicas. Os equipamentos são de última geração. Recentemente, a unidade abriu uma enfermaria para receber pacientes cirúrgicos.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: O Globo / Hermes de Paula