Inea avalia região afetada por vazamento de óleo para saber quais espécies foram atingidas

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) ainda não conseguiu mensurar a dimensão da área contaminada pelo óleo que vazou de um duto da Transpetro, neste fim de semana, em decorrência do furto de petróleo . Porém, o material atingiu uma área de mangue em Magé e Duque de Caxias, municípios da Baixada Fluminense. Considerado suscetível, o manguezal tem uma biodiversidade muito preciosa e é justamente por isso que a preocupação de ambientalistas aumenta.

O presidente do Inea, Marcos Lima, participou de uma inspeção no local na tarde desta segunda-feira e considerou grave o acidente, independentemente da quantidade de óleo vazado.

— O volume, por menor que seja, causa um dano grande por estar próximo da área de mangue. Já presenciamos acidentes de proporções maiores, mas, certamente, este pode ser considerado grave — disse ele, que já identificou caranguejos mortos, coberto pelo óleo. — É possível que nos próximos dias apareça peixes mortos, porque as condições da água vão piorando — completou.

Os 60 mil litros de óleo atingiram o Rio Estrela, que desemboca na Baía de Guanabara, e é usado como limite entre os municípios de Duque de Caxias e Magé. Segundo Lima, as equipes de fauna e flora avaliam toda a situação e em até três dias terão a conclusão de quais espécies foram atingidas. São esses fatores que determinarão, inclusive, o valor da multa aplicada à Transpetro.

O óleo, ele afirma, não atingiu a Ilha de Paquetá, outro receio dos pescadores. O secretário-executivo do Instituto Ondazul, André Esteves, também fez, na tarde desta segunda, uma visita técnica à área de mangue da Praia de Mauá, em Magé, e constatou que algumas partes do manguezal já sofrem a ação do óleo

— Encontrei muitos caranguejos com dificuldade de se movimentar, estão tomados pelo óleo e sem condições de sobreviver. Os procedimentos de contenção emergenciais podem evitar problemas maiores, mas o dano já está causado. Há uma dificuldade muito grande de revitalização dos mangues. O vazamento afeta diretamente a fauna e a flora — lamentou ele, que coordenou um projeto de revitalização daquela mesma região após o derramamento de óleo na Baía de Guanabara no ano 2000.

Além dos danos ambientais, Esteves ressalta ainda os prejuízos aos pescadores. Essa é uma época, explica ele, de desova e desenvolvimento de novos caranguejos.

— Não é a maior fase, mas é grande. O clima contribui para isso. Os pescadores estão aflitos porque não sabem quanto tempo vai levar para que retomem a pesca. Sem contar o desprezo dos consumidores que ficam com medo de comprar — concluiu ele, que na próxima quarta-feira fará a apresentação de um plano de manejado preparado ao longo do último ano.

A presidente da colônia de pescadores, Elaine Cristina Ferreira, lamentou o ocorrido:

— Logo agora que a baía estava voltando a respirar. Estava aparecendo camarão, o robalo, o bagre. Estava todo mundo feliz.

Em nota, a Transpetro informou que um sobrevoo de helicóptero realizado na manhã desta segunda-feira “somente constatou a presença de vestígios de óleo contidos na foz e nas margens do rio Estrela”. Afirmou também que cerca de 45 mil litros de óleo (75% do volume vazado) já foram recolhidos pelas equipes de emergência. “A companhia continua trabalhando nas ações de limpeza e recuperação da área atingida e instalou uma unidade de atendimento à fauna no local, com atuação de médica veterinária e especialistas em meio-ambiente”.

A Transpetro mobilizou 413 profissionais, instalou 24.600 metros de barreiras absorventes e de contenção e colocou 19 caminhões, 22 embarcações de apoio, uma aeronave, três drones, dentre outros recursos à disposição. Segundo a empresa, o duto foi reparado e já voltou a operar.

“A companhia esclarece que é vítima de ações criminosas de furto de óleo e derivados e colabora com as investigações das autoridades. A companhia tem como maior preocupação a segurança das pessoas e do meio ambiente, pois intervenções criminosas nos dutos podem trazer riscos como vazamentos, incêndios e explosões”, complementou a nota.

A colaboração e o engajamento dos moradores vizinhos aos dutos é muito importante para minimizar o perigo que todos correm com estes atos criminosos, ressaltou a Transpetro. “Eles podem entrar em contato com a companhia por meio do telefone 168 caso identifiquem qualquer movimentação suspeita na faixa de dutos e em terrenos próximos. A ligação é grátis e o telefone funciona 24 horas por dia, sete dias por semana”.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior