Os tais microapartamentos que causaram tanto burburinho e polêmicas começam a ser construídos pela cidade. Depois que o Novo Código de Obras foi aprovado, no início do ano, seja em construções novas ou retrofits, eles estão tomando forma e mexendo com o mercado imobiliário no Rio. No embalo dessa mudança, um outro movimento, que já era pedido antigo do setor, está ganhando força: transformar hotéis em moradias.
Não é tão simples, pois a legilação não permite. Mas tramita na Câmara Municipal um projeto que prevê, entre outras mudanças, brechas para isso. Enquanto isso, as empresas vão se reinventando com o que têm.
É o caso do ex-hotel Novo Mundo, na esquina da Praia do Flamengo com a Rua Silveira Martins. No início do ano, após quase sete décadas, ele foi vendido para dar lugar a uma república de estudantes, o Uliving. Ele continuará com as atividades hoteleiras, mas com outro perfil.
Os novos moradores poderão se hospedar por períodos de um mês a um ano, por exemplo, e o conceito é o mesmo dos microapartamentos, com áreas comuns bem diversificadas. Também corre à boca miúda que outro hotel, o Glória, terá o mesmo destino.
Mensalidade de até R$ 1.500
O projeto para que hotéis sejam transformados em residenciais ainda está tramitando, mas incorporadoras e imobiliárias já contam com isso. Se vingar, a medida vai consolidar ainda mais o modo minúsculo de morar no Rio.
O Uliving terá 11 andares de apartamentos com média de 25m². Alguns são para duas pessoas e outras, para apenas uma. Juliano Antunes, CEO da Uliving, empresa responsável pelo projeto, não revela o número final de quartos, mas diz que caberão 413 pessoas.
Segundo ele, o valor mensal da hospedagem de longa permanência será entre R$ 1.500 (uma pessoa em quarto duplo) a R$ 3.500 para o apartamento individual.
— Depende da vista e do andar — diz Antunes. O prédio está em reforma e deve ser entregue em janeiro.
Ele explica que cada unidade terá uma copa de apoio com pia e frigobar e, para todos, haverá coworking, cozinha compartilhada, áreas de jogos e fitness, churrasqueira e sala de cinema, além de uma piscina no rooftop. A Uliving já tem cinco unidades em São Paulo e o foco de seus projetos é atrair estudantes, de graduação ou pós.
A Bait Incorporadora é outra que está de olho na conversão de hotéis em residências. Eles já estão com três projetos engatilhados no segmento das micros, dois em Ipanema e um em Copacabana, onde ficava a antiga Casa de Pedra.
Henrique Blecher, sócio e CEO da incorporadora, destaca que há outras mudanças previstas nesse projeto de lei em discussão, como o uso da ocupação do solo, das áreas privativas e dos clubes dentro dos condomínios.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior