O desembarque de grandes empresas no Porto do Rio já faz a região ter menos escritórios ociosos. Enel Brasil, Unimed e OdontoPrev são algumas das companhias que optaram recentemente por se instalar no Porto e, com isso, a parcela de escritórios classe A vazios na região caiu a 41% no terceiro trimestre deste ano, contra 49% de abril a junho.
A melhora na confiança dos investidores e a sinais positivos em setores como o de óleo e gás ajudam nos negócios. Um ajuste nos valores do aluguel também explica a melhora na ocupação. O preço médio no segmento classe A ficou em R$ 95, bem abaixo do pico atingido em março de 2018, de R$ 113. Para estimular a ocupação, incorporadores como a Tishman Speyer apostam em espaço de coworking.
No pior momento, no segundo semestre de 2016, a taxa de desocupação no Porto do Rio chegou a 94%.
— Este ano marca uma absorção relevante de escritórios classe A no Porto. A chegada de companhias como Bradesco Seguros, Amil Seguros e Generali à região vai puxando a vinda de outras. Como a entrega desses novos espaços aconteceu em meio à crise, a alta taxa de vacância reduziu preços e flexibilizou as condições de contrato. Agora, nos prédios já com boa ocupação, essas condições já mudaram — conta Márcia Fonseca, diretora da consultoria imobiliária Colliers no Rio de Janeiro.
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A OdontoPrev, por exemplo, transferiu sua operação do Centro para um escritório no edifício Sede da L’Oréal. Já a Bahia Holding, segundo a Colliers, muda para o Vista Guanabara.
Ainda assim, a taxa de vacância do Porto está dez pontos percentuais acima da média registrada em escritórios classe A da cidade do Rio como um todo, que ficou em 31% no terceiro trimestre.
O cenário não é de euforia, pondera Márcia, mas já há otimismo e melhor prognóstico em negócios no Rio. Segmentos como o de seguros e o de petróleo, principalmente por conta do megaleilão de cessão onerosa que será realizado pelo governo no início de novembro, estão puxando essa retomada gradual nos espaços corporativos.
Os projetos da multinacional Tishman Speyer na Zona Portuária são exemplo da mudança. A empresa concluiu o Port Corporate em novembro de 2014. Somente em fevereiro de 2018 fechou a venda para a Bradesco Seguros, que transferiu sua equipe para a torre corporativa em meados deste ano.
Já o Aqwa Corporate, na Via Binário, foi entregue em outubro de 2017. No fim do ano passado, tinha 20% de seus quase 70 mil metros quadrados distribuídos em 21 andares locados. Agora, chegou a 40%, já contando com o contrato fechado com a Enel Brasil, de energia, que vai tomar quatro pavimentos do prédio no primeiro semestre de 2021.
— As empresas estão vindo para um novo ciclo. Conversas preliminares que vinham desde 2018, este ano estão resultando em contratos, como com a Enel. Há demanda clara no segmento de óleo e gás e também de áreas como advocacia, multinacionais e start-ups. Como percebemos empresas chegando ao Rio, estamos abrindo no Aqwa uma unidade de nosso projeto de escritórios flexíveis (coworking) — conta Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer no Brasil.
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‘Coworking’ para atrair escritórios menores
Sob a marca Studio, o coworking do Rio vai ocupar uma andar do prédio, um projeto de R$ 5 milhões. Na maior área, onde estão salas de reunião, um lounge e café, haverá 500 posições de trabalho. Os espaços locados podem ser modulados de acordo com a demanda de cada empresa. Existe ainda espaço para outras 150 posições no modelo privativo, para ser adaptado a um eventual contrato de maior porte.
— Há muitas empresas testando o mercado do Rio. O escritório flexível permite fazer isso, começar pequeno e crescer aos poucos. O modelo de economia compartilhada é mais eficiente para negócios menores — complementa Thais Galli, diretora de Inovação da Tishman Speyer, à frente da operação global da marca Studio.
O coworking funciona também com um gatilho para a ocupação dos andares corporativos, diz Cherman. Se a empresa crescer muito, pode passar para um espaço próprio no Aqwa.
Foi pelo modelo de escritório flexível que a Unimed fechou contrato com a Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) este mês. Vai ocupar dois andares do Novo Cais, onde funciona a sede da companhia no país, transferindo parte de suas atividades do Centro da cidade para a Região Portuária.
— Nós contatamos a My Office, que criou espaço dela que será integralmente ocupado pela Unimed — explicou Armando Iazetta, diretor do Novocais.
A Odebrecht protagonizou outro acordo visto como importante para a região: a venda para o Bradesco de metade do Porto Atlântico , complexo corporativo quase vizinho ao NovoCais. A transação, equivalente a R$ 250 milhões, vai cobrir parte da dívida que a OR tem com o banco, que financiou a construção do empreendimento concluído em meados de 2016, segundo fonte próxima às negociações.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior