De sua casa até o estúdio, numa rua pacata na Lagoa, Frejat não consegue ouvir uma música inteira no carro, de tão rápido que é o trajeto. A proximidade traz a qualidade de vida que ameniza as muitas viagens em turnê. Em 2006, o cantor e compositor montou seu escritório ali. Chama-se Estúdio do Brou, em homenagem a seu labrador preto de 12 anos. A algumas músicas dali — não muitas —, no Theatro Net Rio, em Copacabana, ele se apresenta pela primeira vez em 2019 na cidade, nesta terça, às 21h. Apenas com voz e violão.
Acostumado a tocar acompanhado da banda, as apresentações em que aparece sozinho com seu violão são relativamente recentes quando comparadas a sua carreira de mais de 35 anos. Começou com o projeto Inusitado, em 2014. Na época, ele lembra que teve que reaprender a tocar violão com os dedos, já que sempre usava a paleta para dar o ataque característico do rock.
— É um contraponto do show que faço com a banda. Esse é para as pessoas ouvirem meu repertório. Quanto mais eu faço, mais gosto. Com a banda, faço o show inteiro com a paleta. Nesse, só duas (“Pro dia nascer feliz” e “Por aí”, do primeiro disco do Barão Vermelho), o resto é com o dedo. E muda tudo. São escolas completamente diferentes. A minha era a paleta, e tive que reaprender, voltar atrás e praticar até (o ato de) tocar com o dedo ficar natural. Hoje estou mais seguro. Não tinha noção do tamanho da bronca que é voz e violão. O mais difícil não foi pensar o show todo, foi tocar o show — confessa o artista.
Ele também desenvolveu uma atmosfera mais íntima em seu novo show. Entre uma canção e outra, Frejat às vezes revela uma curiosidade da época em que foi feita, algum detalhe do momento em que ele e o parceiro estavam compondo ou mesmo o porquê de ter incluído a música no repertório. Também pergunta à plateia se faltou alguma canção no show. Esta apresentação é feita apenas em teatros, justamente para que tanto ele quanto o público possam imergir nessa intimidade.
— A relação com o público é muito importante. E é curioso porque nesse show o grande diferencial é o público. Tem um momento em que deixo a plateia sugerir coisas. O fato de eu estar no violão e voz facilita, porque quando tem a banda, pensamos: “Será que todo mundo lembra dessa música?”. No meu caso, sou só eu mesmo, mas também não é sempre que consigo lembrar. Porém, não é uma coisa didática. Não tem nada mais destruidor para a música do que contar a história dela, de como foi composta. Tira a magia — conta ele.
As expectativas são grandes para terça-feira. Primeiro porque se apresentar no teatro é ter certeza de que vai acabar cedo, e seu sono (no ar-condicionado, que ele adora!) não ficará desregulado. Segundo porque tocar tão perto de casa e sentir a resposta e a atenção do público o fazem ter a certeza de que é aceito e querido em sua própria cidade. É, de acordo com ele, como um estímulo para poder sugerir mudanças no curso do show. E, por último, claro, porque encontrará amigos.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior