Na Praça Mauá, área onde ficam a Polícia Federal, o Primeiro Distrito Naval, o Pier Mauá e os museus do Amanhã e de Arte do Rio (MAR), conseguir uma vaga de estacionamento não é uma tarefa fácil. Muito menos barata. Parar nas ruas do entorno custa R$ 10 nas mãos dos guardadores, que agem livremente diante da falta de fiscalização. Antônio, como se apresenta o flanelinha que atua na Rua Edgard Gordilho, emite até uma “nota fiscal”, que deve ser assinada pelo motorista. O “documento” tem os números de identidade e do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), que identifica uma empresa na Receita Federal. Tudo falso.
Na semana passada, em poucos minutos, uma equipe do GLOBO viu três motoristas buscarem vaga com Antônio: o primeiro desistiu quando soube do valor, o outro se recusou a fazer o pagamento e parou o carro sem receber o “recibo”, e o terceiro protestou, mas pagou os R$ 10. Para quem reclama do preço, ele diz que cobra pela “segurança”.
“Aqui, o senhor pode ficar o dia inteiro com segurança. Se quiser, pode pagar agora e voltar depois. Eu reservo a vaga”
ANTÔNIO
guardador que atua na Praça Mauá
— É o preço. Aqui, o senhor pode ficar o dia inteiro com segurança. Se quiser, pode pagar agora e voltar depois. Eu reservo a vaga — afirmou o homem, que usa cones para reservar o espaço público.
A situação na Praça Mauá não é um caso isolado. Desde 2013, o estacionamento nas ruas está sem uma empresa responsável pelo controle. Sem fiscalização eficiente do poder público, a desordem avança pelas 39 mil vagas do sistema Rio Rotativo. Muitas das placas com informações sobre os valores estão adulteradas, e há até denúncias de falsificações de talões de estacionamento. Em meio a essa indefinição, as vagas podem ser exploradas por guardadores autônomos, que compram os talões da prefeitura. O valor do tíquete é de R$ 2 — sem reajuste há 14 anos —, e o que varia é o tempo de permanência do veículo.
Guardador faz uma “nota fiscal” para motorista na Praça Mauá: dados falsos Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo
Guardador faz uma “nota fiscal” para motorista na Praça Mauá: dados falsos Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo
Na Estrada das Paineiras, o caminho que leva ao Cristo Redentor, um guardador com colete, crachá e talões parece até seguir as normas, mas basta o turista estacionar para ver que o preço não é o previsto.
— Tem vaga sim: R$ 10. Estaciona ali — diz ele.
“Se você encontra um lugar, o preço nunca é o de R$ 2. Cobram R$ 5, no mínimo”
RICARDO RODRIGUES RAMOS
motorista
As queixas são antigas e de uma ponta a outra da cidade. No site do Sindicato dos Operadores de Tráfego e Guardadores de Veículos do Brasil, um motorista denunciou que o flanelinha não tinha talões e cobrou R$ 10: “Estacionei na Praia do Recreio e, assim que parei, um guardador veio pedir o dinheiro”. O técnico de refrigeração Ricardo Rodrigues Ramos, de 21 anos, sabe de cor as ruas e os bairros do Rio, onde o risco de sofrer extorsão é maior.
— Em Ipanema, Leblon, Gávea e Copacabana, na Zona Sul, as vagas são reservadas pelos guardadores com uso de cones. Se você encontra um lugar, o preço nunca é R$ 2. Normalmente, eles cobram R$ 5, no mínimo. São abusados. Cobram o valores que querem. Ninguém fiscaliza — afirmou.
O engenheiro Sérgio Guimarães, de 54 anos, conta que situação piora à noite, especialmente nas áreas perto de eventos e restaurantes:
— O flanelinha aparece logo para extorquir o seu dinheiro.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior