Época do ano de maior incidência de doenças respiratórias, o outono se desenrola, este ano, com uma preocupação a mais: a pandemia do coronavírus, que faz com que se confundam sintomas e tratamentos de resfriados e gripes comuns com os da Covid-19 e que pacientes acumulem enfermidades, com complicações pulmonares.
— Com a chegada do frio e da umidade, há a tendência de se ventilarem menos os ambientes, fechando janelas e portas. Com isso, a taxa de contaminação do grupo familiar que coabita uma residência tende a ser nitidamente maior, se houver alguém que esteja contaminado naquela casa — acrescenta o pneumologista José Miguel Chatkin, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
O médico chama a atenção para o período crítico de avanço do novo coronavírus, que, por entrar e agir no aparelho respiratório, faz com que “indivíduos que já tenham alguma doença pulmonar e apresentam reservas respiratórias limítrofes tenham maior risco de evolução desfavorável”.
Sem vacina ou medicamentos de comprovada eficiência, a Covid-19 exige medidas de prevenção que vão do distanciamento social a cuidados com a higienização do corpo e de superfícies. Mas se não chegam a ser uma medida de prevenção da doença, exercícios de fisioterapia pulmonar podem ajudar na diferenciação de sintomas respiratórios (que podem ou não ser frutos da Covid-19) e no fortalecimento da musculatura respiratória dos indivíduos, que, em caso de adoecimento, pode ser bastante requisitada.
— Entender o funcionamento da respiração é importante para não confundir alguns sintomas de ansiedade com sintomas do coronavírus, como por exemplo a falta de ar. Na ansiedade, ela pode ceder muito mais facilmente com os exercícios de conscientização respiratória que a falta de ar pelo coronavírus. Já os pacientes crônicos respiratórios precisam manter em dia seu tratamento de fisioterapia respiratória, a fim de evitar uma descompensação em um momento onde a falta de leitos hospitalares é uma preocupação — diz Roberta Correia, fisioterapeuta respiratória do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
O fisioterapeuta Rodrigo Peres, sócio-fundador da empresa Central da Saúde, também defende que os exercícios respiratórios “deixam os pulmões mais fortes e resistentes para combater qualquer sintoma” e podem ser praticados por qualquer pessoa saudável que tenha o receio de contrair a doença.
— A orientação é realizar exercícios respiratórios diários simples e básicos, como inspirar o ar pelo nariz e expirar pela boca inúmeras vezes. Estes exercícios têm o objetivo de manter a ventilação pulmonar normal e fortalecer a musculatura respiratória, como o diafragma e músculos acessórios da respiração. Com isso, diminui o risco de infecção pulmonar e, consequentemente, de acúmulo de secreção que diminuiria a capacidade pulmonar, podendo levar a pessoa a uma insuficiência respiratória — explica o fisioterapeuta, que sugere, a seguir, uma série de exercícios de fortalecimento da musculatura respiratória que podem ser feitos em casa.
Exercícios para fortalecer a musculatura respiratória e aumentar a capacidade pulmonar:
Exercite a respiração normal: inspire pelo nariz (puxe o ar) uma vez e expire pela boca (solte o ar) uma vez. Faça três séries de dez repetições duas vezes ao dia (de manhã, após o café, e à noite, antes de dormir), com intervalo de um minuto entre as séries.
Exercício 1
Puxe o ar duas vezes pelo nariz sequencialmente e solte-o duas vezes pela boca da mesma forma. Faça duas séries de dez repetições, com intervalo de um minuto entre elas, duas vezes ao dia (manhã e noite).
Exercício 2
Amplie o exercício anterior: puxe o ar três vezes pelo nariz sequencialmente e solte-o três vezes pela boca da mesma forma. Faça duas séries de dez repetições duas vezes ao dia (manhã e noite), com intervalo de um minuto entre elas.
Exercício 3
Para manter o ar por mais tempo nos pulmões, incentivando o aumento da ventilação, puxe o ar pela boca uma vez e o segure de cinco a dez segundos. Libere o ar de uma vez pela boca, na sequência, de forma rápida. Faça duas séries de dez repetições pela manhã e à noite, com intervalo de um minuto entre as séries.
Exercício 4
Para expandir a caixa torácica, puxe o ar pela boca uma vez enchendo bem o tórax, elevando os braços simultaneamente. Solte o ar lentamente, abaixando os braços. Faça duas séries de dez repetições pela manhã e à noite.
Exercício 5
Sente-se, segure uma bola plástica leve entre as mãos e estique os braços para a frente, formando um ângulo de 90 graus com seu corpo. Levante e desça a bola, sempre com o braço esticado, associando o movimento à respiração, puxando o ar pelo nariz e o soltando pela boca. Faça duas séries de dez repetições.
Exercício 6
Segurando a mesma bola entre as mãos e também sentado, estique os braços para a frente e dobre-os em direção ao tórax, sucessivas vezes e associando o movimento à respiração. Faça duas séries de dez repetições.
Exercício 7
Em posição deitada, de barriga para cima e com o corpo esticado totalmente, flexione uma das pernas deixando-a apoiada no chão e eleve a outra, contando até cinco. Faça duas séries de dez repetições associando o movimento à respiração, puxando o ar quando a perna sobe e soltando quando desce.
Exercício 8
Sentado em uma cadeira estável, encha bexigas lentamente.
Exercício 9
Caminhe dando passos em que o pé desencoste totalmente do chão com leve inclinação, associando o movimento à respiração normal, puxando o ar pelo nariz e soltando pela boca.
Exercício 10
Fonte: Rodrigo Peres, fisioterapeuta e sócio-fundador da empresa Central da Saúde.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Editoria de Arte Globo