Escolas de samba se inspiram no Rock in Rio para buscar nova receita

Em crise financeira, devido à decisão da prefeitura de reduzir pela metade a subvenção do município para os desfiles do próximo carnaval , escolas de samba do Grupo Especial foram buscar inspiração no Rock in Rio para tentar obter novas receitas. Convidado pelo conselheiro da Beija-Flor Gabriel David (filho do presidente de honra da escola, Anísio Abraão David), o administrador Marcio Cunha, diretor de operações de cinco edições do evento, apresentou um projeto que tem como objetivo diversificar a captação de recursos, com ações de marketing na Sapucaí.

— Vamos oferecer a possibilidade de empresas exibirem suas marcas de várias maneiras na Avenida. Poderão, por exemplo, distribuir brindes e promover brincadeiras com o público num telão, como acontece na NBA (a liga profissional de basquete americana). Pensamos em ações a serem realizadas nos intervalos entre cada desfile — explicou Cunha.

Ele e Gabriel David farão parte de uma equipe encarregada de visitar cerca de 250 empresas que podem ter interesse em apoiar o carnaval do Grupo Especial. A ideia é oferecer cotas de patrocínio de R$ 1 milhão a R$ 6 milhões.

— Vamos apresentar o projeto ao mercado e tentar captar o máximo possível de recursos já para o próximo carnaval. Não queremos criar expectativa de valores, mas o que for arrecadado será divido igualmente entre todas as escolas — disse o conselheiro da Beija-Flor.

Parte do projeto ainda é mantida em segredo. Cunha, no entanto, confirma que a tirolesa e a montanha-russa do Rock in Rio, patrocinadas por empresas, “são uma inspiração”. Ele disse que mostrou suas ideias a Roberto Medina, idealizador do evento. O empresário, porém, não participará da iniciativa para incrementar o carnaval de 2019.

— Neste próximo ano, não tenho como ajudar. Mas, para 2020, disse que daria ideias, mostrarei como o evento pode ser melhorado. Se ajudar, não o farei como parceiro; mas, sim, como cidadão carioca. O carnaval é uma das festas mais importantes do mundo, e todos devem colaborar para que não perca o brilho — afirmou Medina.

O projeto sai do papel dias após a prefeitura comunicar, pelo Diário Oficial, que dará R$ 500 mil a cada escola do Grupo Especial. Metade da verba deve ser paga este mês; e as agremiações só receberão o restante depois de prestarem contas.

Mais transparência
O trabalho desenvolvido por Cunha e Gabriel também tem como meta dar mais transparência ao carnaval, para conquistar a confiança de patrocinadores. Seu projeto inclui três compromissos, que serão propostos à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa): implantar um sistema de gestão, estabelecer regras de compliance para a construção de um código de conduta rigoroso e a realização de uma auditoria nos próximos quatro anos.

Paralelamente ao esforço para captação de novos recursos, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, vai se reunir, na tarde desta quarta-feira, com a direção da Riotur para tentar reverter a decisão da prefeitura de reduzir o subsídio às escolas.

— As 14 escolas do Grupo Especial definiram sequências de alegorias e alas contando com a verba de R$ 1 milhão que havia sido prometida pela prefeitura. Reestruturar tudo agora será complicado — argumentou Castanheira.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior