Se a apuração dos resultados do Grupo Especial deixou um sabor amargo para as escolas da Grande Tijuca, a região pelo menos tem uma alegria para celebrar nas divisões inferiores do carnaval carioca. Com o enredo “A Flor da Mina se veste nas sete cores do arco-íris para Oxumarê passar”, a Flor da Mina do Andaraí foi a campeã do Grupo D, que se apresenta na Estrada Intendente Magalhães, no Campinho. A competição equivale à quinta divisão da folia, que tem seis séries.
O enredo deste ano, uma louvação ao orixá responsável pelo arco-íris e pelas ligações entre o céu e a terra na mitologia iorubá, rendeu à escola um desfile colorido e animado. O resultado foi o acesso à Série C e o fim de uma sequência de 12 anos sem títulos. A agremiação tinha apenas 40 minutos para desfilar com pelo menos 300 componentes. Mas levou 480 integrantes, distribuídos em 15 alas. Os jurados escolhidos pela Associação O Samba é Nosso, que organiza os desfiles que acontecem fora da Marquês de Sapucaí, descontaram apenas um décimo da escola do Morro do Andaraí, que apresentou um desfile orçado em R$ 200 mil.
Parte desses recursos veio da subvenção paga pela prefeitura, de R$ 55 mil anuais. O valor 36 vezes menor do que o pago às escolas do Grupo Especial. O restante foi adquirido com ventos e com o resgate da quadra da agremiação, como explica o diretor de carnaval Fabio Batista, que tomou posse no fim de 2015.
— Nossa quadra estava fechada e a escola funcionava apenas no barracão, em Oswaldo Cruz. Decidimos reativá-la e fazer eventos para atrair as pessoas de volta, como shows e disputas de samba-enredo. Deu certo. O fato de o morro estar pacificado ajudou, porque os artistas toparam participar das atividades. Trouxemos de volta a comunidade do Andaraí para a rotina da escola — diz Batista.
Em 2017, a Flor da Mina do Andaraí vai homenagear as mães, em um enredo ainda sem título, mas que promete emocionar o público presente na Intendente Magalhães.
— Vamos falar sobre amor, sem abrir mão da crítica social. Começaremos mostrando a mãe natureza. Em seguida, apresentaremos a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a Mãe Menininha do Gantois e a Tia Ciata que, apesar de ser conhecida como tia, será apresentada por nós como a mãe do samba. No fim, vamos questionar as mulheres que abandonam os filhos e perguntar onde elas estão. Queremos fazer um desfile para emocionar — anuncia.
Fonte: O GLobo
Foto: Rodney de Figueiredo/Site Carnavalesco
Postado por: Raul Motta Junior