O Brasil é um dos países que mais consume produtos de beleza, e cursos de automaquiagem com um bom profissional configuram entre os mais concorridos. Independência é a palavra para quem quer manter a autoestima em dia sem precisar recorrer a terceiros. O mesmo vale para mulheres com pouca ou nenhuma visão. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), dois terços das pessoas que têm alguma deficiência visual são mulheres. Pensando nisso, a Associação Fluminense de Amparo aos Cegos (AFAC) criou o projeto “Sinta A Beleza Afac”. O ponto alto será um curso de auto maquiagem, que será realizado na sede da instituição, no Fonseca, na próxima sexta-feira, para um grupo de 30 pacientes cegas ou com baixa visão.
O curso, que terá duas horas de duração será ministrado pela maquiadora Priscila Sarzedas. Para isso, ela passou por uma espécie de capacitação dentro da própria Afac para poder aplicá-lo. Priscila terá o apoio da equipe de terapeutas ocupacionais para ensinar os métodos da automaquiagem, que inclui, a limpeza, a tonificação e a hidratação de pele e a aplicação de base, pó, rímel, blush, sombra e batom.
— Há algum tempo faço trabalhos voluntários no Inca, mas nunca trabalhei com deficientes visuais. Está sendo um desafio para mim. Fizemos testes numa sala totalmente escura, conversamos com pacientes para ver se elas aprovavam o que estávamos criando, e estamos com uma boa expectativa. Nesse primeiro contato elas terão um auxilio de uma equipe, mas ao fim as pacientes estarão aptas a fazerem sozinha uma maquiagem básica que dará para ser usada tando de dia quanto em uma festa à noite — explica Priscila.
Uma das participantes do curso, Luzia Ramos, de 38 anos, que tem baixa visão, está ansiosa para participar da atividade. Ela diz que até consegue fazer uma pequena pintura no rosto, mas ter uma técnica mais apurada vai ajudar e muito no seu dia a dia. Luzia, que trabalha vendendo produtos de beleza, conta que as mulheres com deficiência também têm suas vaidades, e elogia a iniciativa da associação por promover o curso.
— É fato que gostamos de nos sentir bonitas, e um projeto desses ajuda sim a valorizar a autoestima. Praticamente toda minha família trabalha com beleza e vive postando imagens nas redes sociais. Agora também poderei fazer o mesmo – brinca.
De acordo com a responsável técnica da AFAC, Joana Merat, a ideia é ampliar o curso para não pacientes também.
— O projeto foi elaborado pela equipe de Orientação e Mobilidade da associação, e está dentro das ações de inclusão que Afac vem promovendo, como visitas a espaços culturais e idas a cinemas e teatros. A ideia dele é valorizar a autoestima. Fizemos uma consulta interna entre as pacientes e algumas se interessaram. Estamos em busca de parcerias para fazer com que essa iniciativa cresça.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior