O incêndio na noite desta quinta-feira no Hospital Badim, no Maracanã , deixou 12 mortos. A maior parte das mortes ocorreu por asfixia por inalação da fumaça. O fogo começou por volta das 18h30m na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do prédio antigo da unidade, localizada na Rua São Francisco Xavier, e foi controlado por volta das 19h45, segundo o Corpo de Bombeiros. Foram momentos de pânico durante o resgate dos 103 pacientes internados no hospital, que contava com 226 funcionários. Uma perícia realizada no dia seguinte à tragédia confirmou que um curto-circuito em um gerador que ficava no prédio antigo do hospital foi a origem do incêndio.
O que se sabe sobre o caso até o momento
Vítimas
Foram momentos de pânico durante o resgate dos 103 pacientes internados no hospital, que contava com 226 funcionáros no momento da tragédia, e o trabalho do Corpo de Bombeiros, que precisou de uma nova equipe pela manhã para fazer varredura e operação de rescaldo.
Nos três primeiros dias após a tragédia, 2 homens e 9 mulheres morreram por conta de complicações geradas pelo incêndio. Grande parte do grupo era formada por idosos. Na segunda-feira, a 12ª vítima faleceu. A mulher estava internada no hospital Copa D’Or.
Queda de luz
Acompanhantes de pacientes que estavam internados no hospital relatam que o fornecimento de energia elétrica na unidade teria sofrido uma queda antes do incêndio. Procurada, porém, a Light informou que não houve qualquer registro de interrupção na rede elétrica da empresa antes do incêndio.
Curto-circuito no subsolo
Já no dia do incêndio, a direção do hospital divulgou uma nota afirmando que “ao que tudo indica” um curto-circuito no prédio de número 1 da unidade — o mais antigo dos dois existentes — teria iniciado a tragédia. A suspeita foi confirmada posteriormente pela perícia. O equipamento estava localizado no subsolo do prédio, que tem quatro andares. O laudo oficial sobre as causas ainda será divulgado pelos bombeiros, posteriormente.
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, chegou ao local às 6h35min. Em entrevista, disse que o episódio precisa ser investigado e confirmou que o prédio tinha todos os equipamentos necessários e previstos em lei contra os incêndios. Crivella cogitou a possibilidade de o hospital ter sido sabotado .
Primeiro chamado
O Corpo de Bombeiros do Rio foi acionado por volta de 18h de quinta-feira para conter as chamas no Badim. Três quarteis atuaram no combate às chamas (Central, Tijuca e Vila Isabel). Dentro do hospital, estavam 103 pacientes internados e 226 funcionários que trabalhavam no momento do incêndio. Antes de notar o fogo, uma paciente disse ter sido surpreendida com a queda dos sinais de televisão e internet. Àquela altura, moradores da região do bairro Maracanã já estavam assustados com a fumaça do incêndio.
Um vídeo divulgado na segunda-feira após a tragédia mostra a movimentação no hospital nos primeiros instantes após o incêndio:
Bombeiros hospitalizados
Durante o trabalho de combate ao incêndio no Hospital Badim, no Maracanã, na Zona Norte do Rio, quatro bombeiros precisaram ser encaminhados para o Hospital Aristarcho Pessoa, no Rio Comprido, na Zona Norte. Três dias após a tragédia, no domingo, 57 pessoas seguiam hospitalizadas – entre elas, 20 familiares de pacientes e funcionários da unidade.
Combate às chamas
O fogo foi apagado por volta de 19h45min, após o Corpo de Bombeiros agir dentro e fora do prédio. As chamas se alastraram com mais facilidade porque havia material inflamável no local (caso dos colchões nos leitos, por exemplo). Em entrevista à TV Globo, o coronel Luciano Sarmento, subchefe operacional da corporação, afirmou que, quando chegaram, os oficiais não encontraram agentes brigadistas do Badim trabalhando no local. Havia, no entanto, todos os equipamentos necessários para o combate, no qual se utilizou a tubulação de incêndio, entre outros aparelhos disponíveis na unidade e levados pela corporação.
‘Pelo amor de Deus, me ajuda’, pediu mulher que tentou fugir do Badim em corda ‘teresa’
Para facilitar a ventilação, as janelas do prédio foram abertas. Em lugares específicos, como em uma das Unidades de Tratamento Intenstivo (UTI) em que havia fogo e fumaça, foram feitos buracos nas paredes. Houve necessidade de buscar a planta do Badim para que fosse localizada uma porta cuja função foi facilitar a saída da fumaça dessa UTI. Os bombeiros utilizaram equipamentos semelhantes a grandes ventiladores para impulsionar o fluxo de ar.
Resgate até por via subterrânea
A correria para salvar pacientes mobilizou funcionários (alguns utilizando máscaras de proteção) e bombeiros. Houve buscas nos quatro andares. Inicialmente, as pessoas foram colocadas em colchões nas calçadas do entorno do hospital, onde passaram a receber atendimento com cuidados primários. Para facilitar a operação, a Polícia Militar (PM) interditou o entorno do Badim (a rua São Francisco Xavier, onde ele está localizado, só foi completamente liberada às 6h desta sexta-feira).
Três bases de atendimento foram improvisadas em imóveis próximos ao local. Entre eles, uma creche , que fica bem ao lado do hospital, e a garagem de um prédio. Uma moradora da vizinhança viu pacientes sendo resgatados por uma passagem subterrânea que liga o hospital ao prédio em que reside.
Remoção: calçadas e hospitais
Das calçadas, os pacientes foram transportados para sete hospitais do Rio, segundo o Corpo de Bombeiros e a prefeitura: Israelita Albert Sabin (no próprio Maracanã); Copa D’Or (em Copacabana, na Zona Sul da cidade); Quinta D’Or (em Sã Cristóvão, Zona Norte); Norte D’Or (em Cascadura, Zona Norte); Caxias D’Or (em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense); São Vicente de Paula (na Tijuca) e o Hospital municipal Souza Aguiar (no Centro).
VEJA: Especialistas falam em falta de plano de emergência no incêndio do Badim: ‘Pacientes esperarem na rua não está certo’
Para decidir como transportar os pacientes, os Bombeiros fizeram um processo de triagem com quem estava na calçada. Nesse momento, foi decidido, por exemplo, quem seria transportado em ambulâncias com ou sem a companhia de médicos. Nos percursos, foram utilizadas ambulâncias de instituições públicas e particulares (15 delas foram cedidas pela rede estadual).
Falta de informações sobre mortos
Os 11 mortos encontrados pelos bombeiros ao longo da noite e madrugada foram enviados ao Instituto Médico Legal (IML) em Benfica, na Zona Norte. O transporte deles foi feito por dois rabecões, por volta de 3h30 da manhã. Posteriormente, eles foram identificados como:
Alayde Henrique Barbieiri
Ana Almeida do Nascimento, 90 anos
Berta Gonçalves Berreiros Souza, 93 anos
Darcy da Rocha Dias, 88 anos
Irene Freitas, 84 anos
Ivone Cardoso
José Costa de Andrade
Luzia dos Santos Melo, 88 anos
Maria Alice Teixeira da Costa, 76 anos
Marlene Menezes Fraga
Virgílio Claudino da Silva, 66 anos
Na segunda-feira seguinte ao incêndio, a 12ª vítima da tragédia morreu no Copa D’Or.
Cuidados
Nas unidades em que chegaram, os pacientes foram acomodados e receberam cuidados específicos para casos de incêndio. Os atendimentos foram feitos por uma rede de solidariedade formada por médicos da cidade, que se mobilizaram para contribuir voluntariamente. Por terem inalado muita fumaça, alguns pacientes sofreram queimaduras nas vias aéreas. No Hospital Quinta D’Or, eles foram submetidos a um procedimento de lavagem dos pulmões.
Como foi o incêndio
Incidente começou no início da noite de quinta-feira (12/09)
Passarela
Prédio
antigo
Prédio
novo
5m
Focos de incêndio atingiram o 3º e o 5º andares, onde ficam CTIs.
O fogo teria começado no fundo do subsolo do prédio mais antigo da unidade. No momento do incêndio, o prédio tinha 103 pacientes internados e 226 funcionários.
Pessoas foram colocadas em colchões nas calçadas do entorno do hospital
18h30
19h45
Corpo de Bombeiros foi acionado. Três quartéis atuaram no combate às chamas (Central, Tijuca e Vila Isabel)
Horário aproximado em que o fogo foi apagado. As chamas se alastraram com mais facilidade porque havia material inflamável no local (caso dos colchões nos leitos, por exemplo). O isolamento das dependências do hospital dificultou a exaustão da fumaça. Bombeiros precisaram quebrar paredes para criar saídas de ar.
Heróis
Após o incêndio, histórias de heroísmo relacionadas à tragédia começaram a surgir. A do enfermeiro Glauber José de Oliveira Amancio, de 32 anos, foi uma delas. Ele montou uma lista com o nome e o destino dos pacientes transferidos do Badim para outros hospitais. Já a cuidadora de idosos Marlene Alves, de 42 anos, quebrou uma janela e ajudou no resgate de três pacientes .
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior