Engenheiro do Complexo do Alemão cria impressora 3D de baixo custo com sucatas de ferro-velho

Um morador do Complexo do Alemão , na Zona Norte do Rio, desenvolveu uma impressora 3D com sucatas compradas em ferros-velhos . Lucas Lima de 24 anos é recém-formado em engenharia mecânica e construiu um modelo capaz de imprimir objetos tridimensionais. Ele teve a ideia de construir sua própria impressora 3D enquanto era estagiário na faculdade onde estudava, e trabalhava em seu projeto de conclusão de curso (TCC). Após duas semanas de estudos, desenvolveu um protótipo a um custo de fabricação de aproximadamente R$ 680 – 25 vezes mais em conta que uma impressora 3D convencional.

— Eu era estagiário na minha faculdade e a impressora que existia lá, a Makerbot , custava17 mil reais. Como era cara, resolvi estudar como se fabricava uma. Com tudo que aprendi, ainda assim continuava com o preço elevado. Aí vi que era possível construir uma com sucata eletrônica e comecei a ir aos ferros-velhos aqui do Alemão e comprei as peças. Em 2 meses consegui fazer a primeira, relatou.

Lucas deu uma palestra em uma escola pública de São Gonçalo sobre o tema e notou a interesse dos jovens sobre o assunto. Segundo ele, naquele momento percebeu que poderia fazer mais pelos jovens da sua comunidade.

— Pensei: se consigo atingir 15 crianças , o que eu não consiguiria fazer com uma empresa de tecnologia dentro do alemão?

Assim surgiu a Infill, uma fábrica de impressoas 3D no Complexo do Alemão que comporta o projeto Maker Space, com cursos de qualificação em tecnologia para jovens, que posteriormente serão encaminhados para trabalharem na produção de máquinas de baixo custo.

— A ideia é ter uma tecnologia 100% favela , mostrar que somos mais do que estatística de violência, somos o futuro, diz Lucas.

Pela inovação, o morador do Complexo do Alemão ganhou o Prêmio Iniciativa Shell Jovem, no dia 7. A premiação seleciona e alavanca negócios com potencial contribuição socioambienta l.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior