Chegando à maioridade, o gigante Monobloco comemorou os seus 18 carnavais com um desfile no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio, na manhã deste domingo. Por volta das 8h e sob um céu nublado, a agremiação capitaneada por Pedro Luís começou o seu aquecimento na altura da Praça Luís de Camões, na Glória, com seus 180 percussionistas ao som de sambas clássicos e temas de Seu Jorge e Almir Guineto.
A partir das 9h30m, o trio e a bateria começam a se mover em direção ao Museu de Arte Moderna (MAM) sob o tema deste ano, “Amor de carnaval”, composto por Moraes Moreira. A nova rainha de bateria, a cantora Mariá Pinkusfeld, e a pernalta Raquel Potí se destacaram no cortejo que arrastou cerca de 200 mil pessoas.
Na frente do bloco como se fosse um abre-alas informal, o casal de servidores públicos Laura Rocha e Eduardo Ferreira, que saiu de Ouro Preto para curtir o seu primeiro carnaval carioca, seguia usando uma fantasia que já causou muito burburinho. Eram os “manifestoches” – os verdadeiros (!) – que a escola de samba Paraíso do Tuiuti levou para a Sapucaí.
– Fomos ao desfile das campeões ontem no Sambódromo. Achamos sensacional e resolvemos reciclar as fantasias no fim de tudo. Agora vamos levá-las para a nossa cidade e usar nos protestos de lá – disse Laura.
Também vendo o Monobloco pela primeira vez, os estudantes Yuri Costa e Alex Couto chegaram vestidos de “coelhinhas da Playboy”. A produção deles foi completamente espontânea.
– Decidimos tudo ontem mesmo, do nada. Chegamos no Saara e compramos a primeira coisa que vimos – ri Yuri.
Chegando ao Monumento dos Pracinhas por volta das 11 horas e debaixo de um forte mormaço, o bloco agitava o público com hits pulantes de Tim Maia, Lulu Santos e Skank, sem registros de brigas ou confusões. A autônoma Letícia Lucindo e o militar Lucas Pedroso, vestidos de flamingos, eram uns dos mais animados.
– Sou apaixonada por esse bicho, daí decidi fazer a minha fantasia e a do meu namorado. Odeio ser igual a todo mundo. Nunca sairia de unicórnio, por exemplo – dizia Letícia.
O clima ficou ainda mais agitado quando o bloco caiu dentro do repertório de funk, com versões para o hit “Qur tiro foi esse”, de Jojo Todynho, e também de MC Sapão, Nego do Borel e Anitta. A maior catarse do desfile ficou em cargo de “Taj Mahal”, de Jorge Ben Jor, música que o bloco tem uma versão que já é considerada tradicional.
Vestida de diabinha, a ascensorista Maria José Couto improvisava um canto de guerra em que citava a ligação do prefeito Marcelo Crivella com a Igreja Universal e o seu desdém pela folia. Porém, sua fantasia não era para ser, de início, uma provocação direta ao prefeito.
– Sempre gostei de sair de diaba e sempre saio assim em todos os carnavais. Desde pequena que eu sou uma diabinha mesmo. Estive também no bloco da Anitta, do da Preta Gil, no Cordão do Bola Preta… Gosto muito do Monobloco, mas sinto que faltaram músicas mais antigas.
Por volta do meio-dia, na passarela do MAM, uma confusão se iniciou por causa de uma tentativa de furto de celular. Um homem tentou arrancar o aparelho da cintura de um jovem, que percebeu e reagiu com socos e chutes. Rapidamente, uma clareira se abriu e a banda parou o som até que tudo se resolvesse. O ladrão conseguiu fugir.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior