Não tem para ninguém: nenhum outro brasileiro terá acesso tão fácil a Michael Phelps, Simone Biles e outros atletas americanos de ponta quanto as freiras da Congregação das Irmãs Angélicas de São Paulo, em Ipanema. Entre um Pai Nosso e uma Ave Maria, as freiras podem simplesmente abrir a janela de seu quarto, olhar para baixo e, amém, avistar ao fundo um Kevin Durant, por exemplo.
Desde o fim de julho, o convívio entre americanos e freiras têm sido intenso. As irmãs alugaram o Colégio São Paulo, ondem vivem e mantém uma tradicional escola fundada em 1922, no início da Praia de Ipanema, para o Comitê Olímpico dos EUA montar sua casa de hospitalidade. Diferentemente da maioria das casas espalhadas pela cidade, a americana é fechada para atletas, familiares, patrocinadores e outros integrantes do que eles chamam de Team USA. Mas, como dez freiras vivem num prédio nos fundos do colégio, sua circulação é livre.
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— Queríamos estar na praia, porque afinal era o Rio de Janeiro. Então achamos esse local lindo, e ao longo dos meses trabalhamos com as irmãs para ter o que precisávamos e ajudar a escola a ficar numa condição melhor — diz Lisa Baird, chefe de Marketing do Comitê Olímpico dos EUA.
Para a Olimpíada, a Casa dos EUA alterou bastante a paisagem do Colégio São Paulo. Logo na entrada, foi colocado um enorme painel com a foto de parte da delegação americana na cerimônia de abertura, no Maracanã. Phelps, lógico, aparece no centro, carregando a bandeira. Mais à frente há um grande salão de convivência, em espaços onde durante o ano letivo funcionam áreas de lazer. TVs para acompanhar os jogos estão por todos os cantos, assim como cadeiras, redes e almofadas decoradas com detalhes vermelhos ou azuis.
BAR COM CERVEJA AO LADO DO PRÉDIO DAS IRMÃS
Ali mesmo, um pequeno palco foi montado para que os atletas vencedores possam mostrar suas medalhas para o resto do Team USA. Há também um bar da Budweiser, a cerveja patrocinadora da equipe, uma pecaminosa tentação coladíssima ao prédio onde dormem as freiras.
Os outros muitos patrocinadores se fazem presentes em pranchas de surf customizadas e espalhadas pelos andares do colégio. Também em cada andar, o comitê americano deixou quadros feitos pelos alunos do colégio com materiais recicláveis — o destaque é um “Abaporu” preparado com tampinhas de garrafa. Naturalmente, foi montada uma sala específica para promover a campanha de Los Angeles a sede dos Jogos em 2024, com direito a maquete eletrônica e computador para explicar direitinho o que os americanos podem oferecer.
O ponto alto, porém, fica para o terraço. Os americanos aproveitaram a vista das praias de Ipanema e Leblon para montar uma área ampla, onde é possível marcar reuniões, relaxar com os amigos ou apenas tirar fotos.
Os responsáveis pela Casa dos Estados Unidos não revelam valores de investimentos, mas prometem deixar toda a escola arrumadinha para receber os alunos de volta três dias após o fim dos jogos. O legado para o Colégio São Paulo também será grande. O prédio foi pintado; uma rede de wi-fi e ar condicionados, instalados; e outras melhorias foram feitas. É coisa para, dizem eles, deixar Tio Sam orgulhoso.
Tudo isso fica escondido do público em geral — exceto das freiras e dos 125 brasileiros que foram contratados para trabalhar diariamente na casa —, a não ser por uma pequena parte do espaço: uma grande loja, aberta das 10h às 17h, com entrada separada pela rua, em que são vendidas de cuecas a joias com a marca do Time USA. Há casacos que saem a mais de R$ 800, um preço nada cristão para um país em crise econômica.
Fonte: O Globo
Foto: Divulgação/Joe Scarnic
Postado por: Raul Motta Junior