Ondas na praia do Flamengo levaram um tipo de banhista pouco visto naquele ponto nesta quinta-feira: os surfistas. Segundo eles, ondas de pelo menos um metro e meio e dois metros de altura não batiam há dois anos na praia. De acordo com o oceonógrafo David Zee, a direção do vento, a maré alta e a ressaca do mar criaram condições para o fenômeno. O surfista André Ferreira, que chegou por volta das 14h, observava a movimentação do mar antes de entrar.
— Vai ser a primeira vez que eu vou surfar aqui. Hoje veio uma galera do Leblon, da Barra e do Arpoador querendo pegar a onda nunca vista — contou Ferreira, que geralmente surfa nas praias de Leblon e Barra.
Também surfista, o professor de educação física Miguel Soldera, de 41 anos, mora na Glória e disse que deu aproveitou o intervalo do trabalho para assistir a ressaca. Segundo ele, surfistas que frequentam Barra, Leblon, Leme e Arpoador foram à praia do Aterro aproveitar as ondas. Ele afirmou que o lixo atrapalha um pouco, mas, como o “swell” — termo do dicionário surfista e que inglês significa “ondulação” — tinha entrado, ainda assim valia a pena pegar onda.
— Costumo ir ao Leme, mas hoje tive que vir aqui. A profundidade nesse ponto da praia ajuda a formas essas ondas. Tem surfista aí desde às 7h da manhã, e outros ainda vão vir depois do expediente — afirmou Soldera.
Também assistindo às demonstrações do mar, Fábio Dias, de 43 anos, entrou no água por volta das 7h e contou que precisou de coragem para encarar a temperatura. Segundo ele, apesar de ter levado um caixote, sua sessão de ondas durou quatro horas.
— A última vez que vi esse mar assim, pelo menos 30 surfistas entraram na água. Mergulho aqui desde mais novo e pouca gente vem, mas, quando isso acontece, a galera dos grupos de surf no WhtsApp começam a chamar. Espalha rápido — disse Dias.
O oceanógrafo David Zee explicou que a fase final da lua cheia elevou a maré astronômica, que, somada à alta maré meteorológica, ocasionada pelo vento forte, fez erguer ondas desse tamanho.
— A situação mais flagrante que tem contribuído para o fenômeno é o aumento da entrada de frentes frias e ventos fortes vindo do sul. Com isso, as ondas chegam onde não costumavam chegar.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior