A pouco mais de duas semanas do término do convênio do programa Centro Presente, no próximo dia 30, a prefeitura ainda não decidiu se vai renovar a parceria com o Sesc, para manter o reforço na segurança da região. Como publicou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, a manutenção do serviço, realizado por 522 policiais militares da ativa e da reserva e agentes civis egressos das Forças Armadas, ainda não foi acertada. Ontem, ao ser questionado sobre a continuidade do projeto, durante a abertura da Conferência Mundial sobre Mobilidade e Uso de Bicicletas (Velo-City), o prefeito Marcelo Crivella limitou-se a dizer que “ainda está avaliando.”
CORTE DE 30%
A prefeitura não quis dar detalhes sobre o assunto, mas, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, o maior impasse hoje seria o financeiro. O Centro Presente custa R$ 41 milhões por ano, valor dividido em partes iguais entre o município e o Sesc. O dinheiro é usado para pagar aos agentes e custear a compra de uniformes e de combustível para os carros de serviço. Com restrições orçamentárias, a prefeitura tenta negociar um corte de até 30% (R$ 6,15 milhões) no contrato.
Ainda segundo as fontes, a redução na verba levaria a um redimensionamento forçado do projeto, com cortes de pessoal que poderiam comprometer a qualidade do serviço. O Sesc preferiu não se manifestar, pois a parceria atual ainda está em vigor. Na última renovação do contrato, em 2017, o programa já havia recebido R$ 6 milhões a menos, em relação ao ano anterior.
Lançado em julho de 2016, o Centro Presente ajudou a reduzir episódios de violência em seu raio de atuação, que abrange desde a Praça Mauá até a Candelária, passando por Praça Quinze, Largo da Carioca, ruas Uruguaiana e Sete de Setembro, e a Avenida Presidente Vargas até a Praça Onze. Na época, multiplicavam-se episódios de violência na região, onde bandidos usavam facas para atacar pedestres. Desde então, foram registradas 3.376 prisões em flagrante. Entre as principais acusações, estão posse e uso de drogas (1.041), porte de armas brancas (215), roubos (193), furtos (333) e tráfico (60). Além disso, foram cumpridos 785 mandados de prisão neste período.
Nas ruas do Centro, o clima é de expectativa quanto ao futuro do projeto:
— Se o projeto acabar, adeus Centro da cidade. Antes do programa, não se conseguia andar na rua com celular que alguém já vinha assaltar. Eram sempre os mesmos — disse o comerciante Fabiano Gomes.
A ambulante Cíntia Santos, que trabalha na Central, espera que o projeto seja mantido:
— Antigamente, eram comuns arrastões e roubos a pedestres. Se um ônibus parava, tentavam invadir para roubar.
Apesar do clima de incerteza, um dos agentes do projeto, que pediu para não ser identificado, acredita que a parceria será renovada:
— A segurança melhorou muito. Se acabar, os assaltos vão voltar para a região.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior