Covid-19 adia a tradicional festa de São Jorge realizada em Quintino

A pandemia de coronavírus – que já afetou as celebrações da Páscoa por todo o mundo – será responsável também pelo adiamento de uma das festas religiosas mais tradicionais do Rio. Devido à Covid-19, pela primeira vez em 75 anos (desde 1945), a festa de comemoração ao Dia de São Jorge que aconteceria no próximo dia 23 na Paróquia de Quintino, na Zona Norte do Rio, foi adiada. O padre Dirceu Rigo já avisou aos fiéis que a igreja estará fechada, mas haverá missas transmitidas pela internet. Ele pretende reagendar a festa, que inclui a montagem de 64 barraquinhas na Rua Clarimundo de Mello para 23 de agosto ou 23 de setembro. Tudo vai depender da evolução da pandemia.

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– A igreja vai estar fechada. Mas vamos celebrar o tradicional Toque da Alvorada às 5h, com transmissão pela internet. Serão pelo menos quatro missas ao longo do dia. No máximo, dentro da igreja serão umas seis pessoas, entre cinegrafista, gente que vai ler passagens do Evangelho e músicos. Já avisei aos fiéis. Mas vou gravar um vídeo reiteirando o pedido para os devotos ficarem em casa – diz o padre Dirceu Rigo.

Ele acrescenta que a sensação de tristeza e a vontade de chorar serão inevitáveis por celebrar a data sem a presença dos devotos. Ele calcula que em 2019 cerca de 1,5 milhão de pessoas passou pela paróquia no feriado em honra ao santo.

– Na Páscoa, já foi assim. As missas ocorreram, mas transmitidas pela internet. Senti falta da alegria e da devoção do povo – contou o padre, completando: – A igreja foi inaugurada há 75 anos. E planejávamos um jubileu de comemoração durante um ano, a partir do dia 23. Isso também foi adiado.

Dirceu Rigo acrescentou que ainda vai avaliar se caberia ao menos realizar uma minicarreta pelas ruas do bairro. Mas nem isso é certo:

– São Jorge atrai muitos devotos. Pode não ser viável se gerar aglomerações.
O superintendente regional de Madureira, Gilberto Miranda, conta que o planejamento da festa costuma começar entre os meses de outubro e novembro, ou seja, com quase seis meses de antecedência. Isso porque a logística envolve a mobiização de até 300 servidores para organizar o trânsito, garis da Comurb, agentes da Guarda Municipal, entre outros serviços. Ele prevê que vai ser difícil todas as tradições do Dia de São Jorge, como as feijoadas privadas no subúrbio serem canceladas. Mas Gilberto pede que as famílias evitem concentrações de pessoas que possam aumentar o risco de transmissão do coronavírus.

Igreja também fechada no Centro
No Centro do Rio, a Igreja de São Jorge também está fechada. Uma mensagem deixada gravada na secretária eletrônica alerta os devotos para a pandemia e sequer cita comemorações.

“A Igreja de São Jorge está fechada por tempo indeterminado por recomendação do Ministério Público e da Cúria Metropolitana. Voltaremos às atividades quando o novo coronavírus (Covid-19) não representar mais uma ameaça à população. Somos chamados a nos isolar fisicamente, mas permaneceremos mais do que nunca em oração. Se cuidem, cuidem dos outros e fiquem em casa. Que Deus, por interseção do glorioso São Jorge, nos guarde e nos proteja. Fiquem com Deus”, diz a mensagem.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior