Coronavírus: casais inventam novas formas de estar juntos no Dia dos Namorados

Falar de amor após a chegada da Covid-19 é também falar de saudade. Há mais de dois meses, muitos casais apaixonados não se encontram. Olho no olho? Só se for por videochamada. A boa notícia é que muitos pombinhos garantem que a distância só fortaleceu o sentimento que já os unia. Um alívio e tanto para os corações que andam ainda mais apertados com a proximidade do Dia dos Namorados.

Foi com foco na razão que Danielle Andrade e David Hospinal, moradores do Grajaú, decidiram passar a quarentena ao estilo “cada um na sua casa”. Não está sendo fácil, mas a experiência fez com que a relação de quatro anos ganhasse generosas doses de romantismo:

— Eu sempre fui romântica, e David está entrando neste clima depois da quarentena. Tentamos manter a chama acesa namorando por vídeo, assistindo aos mesmos filmes e lives. Nós também fazemos surpresas um para o outro. Recentemente, enviei um salgadinho para ele lanchar a mesma coisa que eu. Já o David, num dia em que eu tive uma crise de ansiedade, mandou um açaí, que amo, só para que eu me acalmasse, ficasse feliz. Estamos sem nos ver desde o dia 15 de março e ainda estamos avaliando se será seguro um reencontro no Dia dos Namorados. Mas o importante é que temos certeza de que o nosso amor é para a vida inteira — frisa Danielle Andrade.

O dilema “Se encontrar ou não se encontrar: eis a questão” também faz parte do novo normal de João Vitor Santana, morador da Ilha do Governador, e de Pedro Nogueira, que vive no Engenho Novo. E olha que namoro à distância não é novidade na vida do casal, que se conhece desde 2015, mas só engrenou um relacionamento há cerca de um ano e meio.

— Em 2019, passei dois meses morando na Colômbia e cinco na França. Nessa época, tive medo de que o relacionamento não fosse adiante. Mas, mesmo longe fisicamente, ficamos ainda mais próximos. Como não somos casados e precisamos nos proteger e proteger nossos familiares, estamos namorando, desde março, por mensagens, ligações e chamadas de vídeo. Conversamos o dia inteiro, o que ajuda a aplacar um pouco a saudade. Quando tudo isso passar, nosso primeiro programa juntos vai ser ir a uma balada — planeja Santana, que é estudante de Relações Internacionais.

Pela saúde de todos, a advogada Nathalia Jaimovich, moradora do Méier, e Johnny Alves, que vive em Niterói, mas está passando a quarentena com a mãe, em Duque de Caxias, formam mais um casal que resolveu permanecer separado na pandemia para não se desgrudar num futuro próximo.

— Nossos pais não são mais tão jovens e têm doenças preexistentes, então, no dia 15 de março, ainda sem saber que ia demorar tanto, decidimos passar a quarentena separados. Antes da pandemia, nós nos víamos praticamente todo dia, e, na medida do possível, continuamos bem próximos. Conversando muito, compartilhando com o outro tudo o que acontece. Quando eu cozinho algo diferente, mando a foto para ele. Se Johnny faz uma nova atividade física, ele envia uma foto para mim. Estamos com saudade, mas certos de que queremos ficar juntos para sempre. Nosso isolamento não é em vão, é para cuidar de quem amamos — diz Nathalia.

Foto: Acervo pessoal

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior