O concurso de rainha do carnaval do Rio deste ano, que acontece na sexta-feira, na Cidade do Samba, tem entre as candidatas uma avó. Aos 39 anos, Egili Oliveira começou a carreira como passista do Salgueiro. A candidata à corte momesca tem um neto de 8 meses e foi mãe cedo, aos 16 anos. Arthur é filho de Márcia Gabriela, de 22 anos, que também vai disputar o concurso, só que em Jundiaí, em São Paulo, onde mora.
— As pessoas ficam encantadas em saber que eu sou uma avó nova, conservada desse jeito. Ser mãe é bom, mas ser avó é melhor. As pessoas têm a mentalidade de que avó é velha, e eu estou mostrando o contrário. Eu falo para as pessoas que sou avó com a boca cheia. Eu não tenho vergonha disso, e ninguém deveria ter. Nenhuma avó tem que ter vergonha, porque a gente está no ciclo natural. Não importa a idade. É a cadeia natural da vida.
Egili tem uma ligação com samba que vem de berço, ensinado dentro de casa.
— Sempre na época do carnaval, minha avó Maria José da Conceição juntava os netos e ensinava a sambar. Eu tinha uma tia que desfilava no carnaval, ela era passista e eu sempre quis ser igual a ela.
Além da tia, a avó que ensinou Egili a sambar já integrou a comissão de frente da Unidos do Bem Amado, em Niterói, e o avô foi mestre-sala da mesma escola.
— O samba é a nossa raiz. Minha avó é baiana, então o samba é uma coisa tradicional da gente. E tem que ser passado de geração para geração.
Com apenas 8 meses, o neto Arthur já foi iniciado no carnaval.
— Nós o levamos na feijoada do Império Serrano. Eu sou uma avó festeira, faço palhaçada e ele gosta disso. Eu o levei na frente da bateria e ele dançou comigo. Se mexia todo. Ele ficou encantado com a bateria — conta a passista.
Em 2012, a madrinha da Renascer de Jacarepaguá participou do concurso de rainha pela primeira vez e ficou em quarto lugar. Segundo ela, a apresentação abriu portas para que fizesse carreira no exterior. Egili Oliveira viajou para países como Inglaterra, Estados Unidos e Suécia oferecendo aulas de samba. Hoje ela dá aula na quadra do Morro Dona Marta, em Botafogo, onde é rainha de bateria da Mocidade Unida do Santa Marta. Ser rainha do carnaval é o grande sonho de Egili Oliveira que disputa o título pela quarta vez.
— É o maior título que alguém pode receber. Ganhar isso seria coroar a minha história de vida através do samba. Eu tenho o carnaval como se fosse uma escola de vida. Eu acredito que o carnaval educa. Tem esse dever. Hoje em dia o carnaval é fonte de renda, de trabalho; forma profissionais.
A final do concurso que vai eleger a corte do carnaval carioca, na sexta-feira, na Cidade do Samba, tem 18 candidatas a rainha, que serão julgadas por sua facilidade de expressão, simpatia, espírito carnavalesco e beleza. Dezesseis candidatos disputam a eleição para Rei Momo.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior