Não bastasse a farra dos ambulantes, os comerciantes legais da região da Praça Saens Peña têm sofrido com novo tipo de concorrência: desde meados do ano passado estão liberadas no logradouro feirinhas de segunda a quinta-feira, que não se limitam à venda de artigos de artesanato. Nelas comercializa-se de tudo, de joias a calçados, itens de vestuário e lingerie. Resultado: lojistas do Shopping 45 e do entorno da praça se queixam de queda no faturamento. A maioria foi obrigada a cortar gastos. E alguns tiveram que fechar as portas.
Jaime Miranda, da Associação Comercial da Tijuca (Acit), diz que a liberação é ruim para a economia formal e , consequentemente, para a própria prefeitura.
— As feirinhas estão com grande estrutura, atraindo transeuntes, que nem entram mais no shopping ou nas galerias. Elas estão vendendo tudo o que se pode imaginar. Não têm despesas com funcionários e nem com aluguel e nem sofrem com as altas cargas tributárias, como os lojistas. Ao mesmo tempo que esses feirantes estão faturando muito e empregando poucas pessoas, os lojistas que pagam contas e impostos para o poder público estão sendo obrigados a lidar com o prejuízo e a demitir — explica Miranda.
O Shopping 45 é o maior exemplo da crise. Mais de dez lojas fecharam desde que a feira foi legalizada. Dona de uma loja de bijuterias no local há 14 anos, Fátima Gomes diz que esse é o momento mais dramático que ela já enfrentou.
— Eu pago R$ 2 mil de condomínio e R$ 10 mil de aluguel. Perdi 40% do faturamento. Para mim a prefeitura está ganhando muito dinheiro para deixar a feirinha acontecer, cobrando diárias. Só pode ser — conta ela.
Mais de 300 comerciantes fizeram um abaixo-assinado, entregue à Casa Civil no dia 1º de junho. A Subsecretaria municipal de Eventos, no entanto, disse que não recebeu petição via abaixo-assinado, mas que se coloca à disposição a fim de buscar uma solução para o impasse.
O Mercado Popular da Tijuca, centro regularizado de camelôs criado há 22 anos, também sofre com a concorrência, principalmente com os ambulantes informais.
— Temos mais de dez boxes vazios. São muitas taxas e contas a pagar. Muitos preferiram ir à rua, pois há mais visibilidade, sem essas despesas — afirma a administradora, Norma Lemos.
A Subsecretaria de Eventos informou que as autorizações foram estabelecidas após reunião da superintendência com os feirantes, acrescentando que apenas uma Taxa de Utilização de Área Pública (Tuap) para o tesouro municipal é cobrada dos vendedores.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Emily Almeida / fotos de emily almeida