Localizada numa das áreas mais nobres da cidade, a Cobal do Leblon continua passando por um momento crítico. Mais da metade das lojas do hortomercado estão fechadas há pelo menos três anos — 80 unidades, segundo os lojistas mais antigos, o que representa cerca de 60% dos estabelecimentos. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pelo local, os fechamentos ocorreram por conta da inadimplência dos locatários. Para que os estabelecimentos sejam reabertos, é necessário abrir um processo licitatório.
O caso está na justiça, mas não avança. Em nota, a Conab informou que as unidades que se encontram fechadas atualmente ainda estão em processo de retomada judicial e é preciso aguardar que as ações de despejo transitem em julgado (quando não cabe mais recurso) para que ocorra a reintegração de posse. Ainda segundo a nota, somente depois disso é que a licitação poderá ser feita, pois, como toda empresa pública federal (a companhia está vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a Conab deve seguir os trâmites estabelecidos na Lei das Licitações.
Enquanto um acordo entre a empresa e os inadimplentes não acontece (cada caso é diferente do outro, mas, em geral, eles precisam pagar o que devem), os comerciantes que ainda trabalham na Cobal do Leblon cobram uma solução.
— Estamos abandonados. Essa situação é um desserviço para todos. As lojas estão prontas, existem pessoas interessadas nelas, mas nada acontece. São empregos que deixam de ser gerados e impostos que deixam de ser recolhidos — diz Gil Pirozzi, proprietário da Delly Gil, que funciona no local desde 1977.
Outro comerciante, Gabriel Dias, dono do Açougue Prime e do Botequim Bate-Papo, e há mais de 30 anos no espaço, diz que a situação prejudica os lojistas que continuam na Cobal.
— Menos lojas, menos movimento. Mas somos prejudicados também porque, como em qualquer condomínio, rateamos as despesas com luz, água e segurança. Como somos poucos, a conta acaba não fechando. Está muito pesado para quem continua aqui — reclama Dias.
A Conab não deu prazo para o término do processo. No entanto, informou que está otimista de que, ainda este ano, ocorram avanços.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior