Com saída de Furnas, comércio de Botafogo estima perdas de até 60%

A crise econômica já é motivo suficiente para tirar o sono de quem vive do comércio. Mas em Botafogo, no polo da Rua Real Grandeza, donos e funcionários de restaurantes, bares e lojas agora enfrentam um pesadelo. E o motivo é a notícia sobre a saída de Furnas do prédio onde está instalada há 48 anos . Parte dos negócios foi aberta ali justamente pelo grande número de funcionários da empresa, onde hoje trabalham 1.500 pessoas. As perdas, segundo comerciantes, podem chegar a 60%.

No restaurante a quilo Versão Carioca, funcionários contam que a apreensão é grande. A casa, aberta em 2010, depende do movimento gerado pela empresa de energia: lá, mais de metade da clientela é formada por empregados de Furnas, que frequentam o espaço na hora do almoço. A poucos passos dali, o Botequim, na Visconde de Caravelas, já lamenta a perda de um público certo:

— Estamos pensando no que fazer para reparar esse prejuízo e torcendo para que alguém ocupe esses prédios rapidamente — diz o empresário João Laborne, do Botequim, que funciona na região há 40 anos e calcula ter, entre os clientes, 30% de empregados de Furnas.

Medo de perder emprego
Patrícia Rodrigues, que trabalha num bistrô vegetariano onde metade das mesas são ocupadas diariamente pelos vizinhos de Furnas, não esconde o medo de perder o emprego:

— Moro na Muzema, pago aluguel e tenho três filhos, saio cedo de casa para trabalhar e, quando chego, não tem cliente para atender. O que vamos fazer? — questiona ela, aflita com o futuro.

Localizado em frente a Furnas, o Galeto Sat’s costuma receber reservas de funcionários da companhia. Esta semana, um grupo de mais de 30 ocupou parte de um dos dois salões.

— Será rá uma perda grande para o comércio — diz um dos gerentes, Nonato Martins.

O prejuízo também poderá ser grande para lojistas e serviços que, interessados em agradar funcionários da empresa, oferecem descontos de 10% para quem tem crachá de Furnas. É o caso daWöllner e da Via Mia.

—Estou aqui há sete meses, mas antes fiquei seis procurando emprego. Vamos ter trabalho sem Furnas? — pergunta a vendedora da Via Mia Suzana Souza.

Gerente do Studio Hans, Cláudia de Paula diz que, há 11 anos, quando o salão foi aberto na rua, não havia no local metade do comércio visto hoje. O serviço mais procurado por funcionárias da empresa é o “express”, de 30 minutos. Na hora do almoço, é possível fazer escova, pé e mão a R$ 102. Apesar do medo de outros comerciantes, Cláudia está otimista.

— Toda dificuldade gera uma oportunidade — diz ela, afirmando que 70% do faturamento já esteve atrelado à Furnas. — Em 2016, reduzimos nosso tamanho e sobrevivemos à crise. Desde que o batalhão da PM saiu da rua, fechamos às 20h. Vamos agora apostar mais nos moradores e voltar a abrir até as 22h.

Sem informar quando será a mudança, a subsidiária da Eletrobras, que ocupa dois prédios, de 8 e 17 andares, na Fundação Real Grandeza, afirmou, em nota, que a saída reduzirá em mais de 50% os gastos com aluguel. A empresa deverá ir para o Centro. Na região de Botafogo, o comentário é de que os prédios podem abrigar uma faculdade ou um hospital. A Fundação Real Grandeza diz apenas que uma consultoria vai estudar a melhor solução.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior