Os velocíssimos ventos durante a chuva que na noite de quarta-feira provocou ao menos cinco mortes e muitos danos no estado do Rio assustaram moradores das regiões mais afetadas. E não à toa. Os mais fortes picos da ventania aconteceram na Ilha da Marambaia , com 116 quilômetros por hora, e no Forte de Copacabana , com 110 quilômetros por hora entre 21h e 23h. Ou seja, só um pouco abaixo dos 119 quilômetros por hora que servem de critério para que uma tempestade tropical seja considerada um furacão no Atlântico.
Os ventos nestas regiões foram os mais altos na capital fluminense desde 22 de agosto de 2016, quando Copacabana registrou ventos de 119 quilômetros por hora. Segundo especialistas ouvidos pelo Globo , o fenômeno se explica por três fatores: o avanço de grandes áreas de instabilidades vindas de São Paulo; fortes correntes de vento em médios e grandes níveis da atmosfera; e, ainda, a presença de um sistema de baixa pressão no mar.
Mais do que o volume de água em si, os raios e a ventania que acompanharam o temporal ajudaram a provocar tantos danos. A região da cidade com maior chuva acumulada nas 24 horas que antecederam as 10h desta quinta-feira foi a Rocinha, com 166 mm, segundo o Alerta Rio. Em comparação, o maior volume acumulado já registrado na cidade pelo Inmet ao longo de 24 horas no mês de fevereiro foi de 394 mm no bairro de Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, em 1971.
Ao menos cinco pessoas morreram no temporal de quarta-feira. Uma na Avenida Niemeyer, em São Conrado; outra no Morro do Vidigal, também em São Conrado; duas em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste; e outra na Rocinha, na Zona Sul. Segundo o Centro de Operações Rio (COR), a cidade permanece em estágio de crise, com possibilidade de chuvas moderadas ainda nesta quinta-feira.
De acordo com a meteorologista Josélia Pegorin, do Climatempo, a maior preocupação é com a Costa Verde (região de Angra dos Reis, Paraty e Mangaratiba), Grande Rio e cidades da região serrana, que já tiveram chuva volumosa no começo desta semana. Córregos e rios que já estão com níveis elevados e encostas encharcadas devem ficar em alerta porque se torna mais fácil a ocorrência de transbordamentos de rios e deslizamentos de terra.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Alexandre Cassiano / Alexandre Cassiano