Em meio ao agito do Baixo Méier, onde predominam bares, restaurantes, pizzarias e tabernas, um cheirinho bem familiar se destaca. Vem de casas tradicionais, como a lanchonete Dolce Amore, que há 25 anos vende “o melhor joelho do Méier”; e o Cachorro-Quente do Gaúcho, há 38 anos fazendo sucesso com seus sanduíches de 30 centímetros.
Ex-supervisor de produção de uma fábrica de cigarros, Marcos Vicente comprou uma lojinha de salgados modesta no número 140 da Rua Constança Barbosa. Deu um toque especial à receita do joelho e, de tanto ouvir dos clientes que ele era o melhor do Méier, acabou incorporando o “slogan”. O segredo?
— Mantemos ao longo dos anos a maneira artesanal de prepará-los, um a um. O carinho faz diferença — afirma Marcos Vicente, que administra o negócio com a mulher, Verônica, e o filho mais velho, Jean Marcelo.
Por dia, eles vendem em média 400 joelhos, nos sabores queijo, queijo com presunto, peito de peru e queijo minas, queijo com calabresa, frango e o inusitado queijo com banana, canela e açúcar. Cada um sai a R$ 5, à exceção do de pizza (queijo presunto, tomate e orégano), que custa R$ 6.
— Comprei cinco, um para mim e os outros para meu marido e meus filhos. Como aqui há mais de 20 anos, desde a minha época de escola — contou a cake designer Fabiana Felipe da Silva à equipe de reportagem. — Nenhum joelho é igual a esse. A massa é fofinha, molhadinha. O recheio é farto; e o preço, honesto.
O jogador de futebol André Paiva diz que, por ser atleta e fazer dieta, até tenta ser comedido e comer apenas um joelho da Dolce Amore por semana.
— Mas não é sempre que consigo me controlar. Teve um dia em que estava sem almoçar e acabei comendo quatro — confessa.
Tamanha satisfação dos clientes até emociona Marcos Vicente, que não chegou a abrir filiais “para não perder qualidade de vida”. Ele se lembra, com lágrimas nos olhos, de uma senhora que foi buscar um joelho para o marido, internado no Hospital Pasteur.
—Foi o único pedido que ele fez a ela. É sinal de que estamos no caminho certo — constata.
A certeza de que o trabalho do marido, morto em 2015, deveria ser levado adiante, fez Elaine da Silva seguir com o Cachorro-Quente do Gaúcho, que vende 300 sanduíches por dia. O negócio, que começou numa “Kombi bege bem velha”, virou um charmoso quiosque de madeira instalado no número 256 da Rua Dias da Cruz. O endereço, Elaine avisa, está prestes a mudar, para bem pertinho, o número 67 da Rua Magalhães Couto. Mas a qualidade, ela garante, será mantida:
— Nossos segredos são o molho cru, inventado pelo Gaúcho, que leva apenas cebola , tomate e pimentão cortadinhos, e a maionese de ervas finas que inventamos.
Mal sabe ela que os pães artesanais tostados na chapa, de cerveja preta, pimenta-biquinho, australiano ou baguete, também agradam em cheio. Assim como as opções de salsicha, linguiça defumada ou de frango. Cada cachorro-quente, que leva ainda batata palha e queijo parmesão ralado, sai a R$ 13.
— A primeira vez que comi aqui foi há 14 anos, quando estava grávida do meu filho e senti desejo. Conheci o Gaúcho, ele era simpático. Ainda bem que o legado dele permaneceu — celebra a modelista Marcella Braga.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior