Faz só uma semana que o carnaval 2019 chegava ao momento derradeiro da apuração que consagrou a Mangueira campeã . E não deu tempo para ressaca, porque a disputa de 2020 já entrou em marcha, com uma dança das cadeiras que desafia convicções e mexe com a estrutura do espetáculo na Sapucaí. Apenas nas 24 horas entre as noites de segunda e terça-feira, quatro escolas anunciaram mudanças de carnavalescos. Ascenderam artistas que brilharam no grupo de acesso, enquanto Renato Lage e Rosa Magalhães, alguns dos nomes mais emblemáticos da festa, ficaram com o destino indefinido, ao menos até agora.
A Grande Rio anunciou a saída de Renato e de sua mulher, Márcia Lage , no fim da manhã desta terça. Minutos depois, confirmou a contratação dos jovens Leonardo Bora e Gabriel Haddad, bicampeões do Estandarte de Ouro pela Acadêmicos do Cubango, da Série A. A dupla já tinha sido sondada pela Mocidade Independente, que acabou tirando Jack Vasconcelos da Paraíso do Tuiuti. Já a azul e amarelo de São Cristóvão o substituiu por João Vitor Araújo, que nos dois últimos anos assinou a Unidos de Padre Miguel, da Série A. Por último, a Portela divulgou o fim do contrato de Rosa Magalhães. No caso da Águia, um complicador é que a agremiação passará em breve por uma eleição com resultados imprevisíveis.
“A diretoria da Portela informa que o contrato com a carnavalesca Rosa Magalhães, que tinha validade de dois anos, terminou nesta terça-feira (12). Decorridos esses dois carnavais, a Família Portelense só tem a agradecer todo o carinho, dedicação e empenho daquela que é uma das artistas mais completas e premiadas do Brasil”, comunicou a escola, em suas redes sociais.
Dois fatores podem estar por trás de tantas reviravoltas em pouco tempo. Não se pode descartar a dificuldade das escolas de pagarem os salários mais altos. Mas também se vislumbra uma influência do sucesso do campeão Leandro Vieira, na Mangueira, e de outros carnavalescos que estrearam no Grupo Especial nos últimos anos, como o próprio Jack Vasconcelos, vice-campeã pela Tuiuti em 2018.
Tanto Leandro quanto Jack são oriundos da Escola de Belas Artes da UFRJ, que há mais de cinco décadas forma artistas para o carnaval.
A renovação, além de propostas estéticas, trouxe temáticas elogiadas, como o avesso da História do Brasil na verde e rosa, ou os ex-votos da Cubango, ambas em 2019.
Edson Pereira, renovado na Vila Isabel, Jorge Silveira, que vai para a terceira folia na São Clemente, e Severo Luzardo, que continua na União da Ilha, também integram o grupo de artistas que, até pouco tempo, estava nos quadros do grupo de acesso. Já a direção da Estácio de Sá, que recém conquistou o título da Série A, manifestou a intenção de manter o campeão Tarcísio Zanon. Assim como são grandes as chances de Leandro Vieira seguir na Estação Primeira, dependendo do resultado eleitoral na agremiação.
Entre os mais veteranos nas grandes escolas, Paulo Barros, que vai para seu 17° desfile no Especial, permanecerá na Viradouro. Alexandre Louzada, ex-Mocidade, está perto de confirmar sua volta à Beija-Flor. No Salgueiro, a presidência da vermelho e branco já avisou que pretende manter Alex de Souza. A Unidos da Tijuca ainda não se manifestou se fará alguma mudança na comissão de carnaval, integrada por Laíla, Fran Sérgio, Annik Salmon, Marcus Paulo e Hélcio Paim.
Enquanto isso, na Série A, escolas como Cubango e Padre Miguel ficaram sem carnavalesco. E não se sabem os rumos que tomarão Imperatriz Leopoldinense e Império Serrano, rebaixadas este ano. Mas algo é certo. Novamente ficou clara a importância do acesso na revelação de talentos.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior